Quer desamarrar sua vida? Comece eliminando esse hábito – Parte 3

giraffes-627031_1280

Nossa sociedade é orientada para os maus olhos. É a sociedade dos últimos dias, em que o amor se esfriaria de quase todos. É isso o que vemos. E aprendemos maus olhos em casa, na escola, nas novelas, nos jornais, nas redes sociais, em todos os lugares.

As pessoas se dessensibilizam e acham normal xingar os outros e usar linguagem maliciosa. Assim, alimentam o que há de pior na natureza humana e desenvolvem um padrão de pensamento negativo, emocional e totalmente carnal. Arrisco dizer que é por isso que a Bíblia diz que se os olhos forem maus todo o corpo andará em trevas. O que alimentamos em nós é o que cresce. E se alimentamos o mal, ele se desenvolve na nossa vida.

Entenda: ainda que seu “comentário” sobre a vida alheia seja baseado em fatos reais, isso não lhe dá o direito de “comentar”. Li dia desses um texto muito interessante escrito por um rabino, que faz total sentido à luz do que Jesus disse sobre fazer aos outros o que queremos que eles nos façam (ou seja, dar o que gostaria de receber sem esperar retribuição):

“Muitas pessoas julgam moralmente permissível uma declaração negativa, mas verdadeira, feita sobre outra pessoa. A lei judaica opõe-se a essa visão. O fato de uma coisa ser verdadeira não significa que interesse a alguém. Em hebraico, a expressão usada para a proibição de falar mal dos outros, Lashon Hara (literalmente ‘língua malvada’) refere-se a qualquer declaração que seja verdadeira, mas denigra a condição da pessoa a quem se refere. Assim, é proibido falar com os amigos que fulano come como um porco, é sexualmente promíscuo ou é considerado preguiçoso pelos colegas de trabalho, mesmo que seja verdade.

Há de se convir que a observância de tal preceito às vezes é difícil e o Talmude em si admite que praticamente todos violarão essas leis. Entretanto, quem se esforça para praticar essas normas descobre que, em pouco tempo, começa a falar sobre os outros de maneira mais justa” (Joseph Telushkin, em O livro dos valores judaicos)

Isso é verdade! Ainda que, humanos que somos, vez ou outra façamos errado, só o fato de diariamente e diligentemente nos esforçarmos para praticar o que é certo nos faz ter um comportamento mais justo.

Habitue-se a pensar: “será que essa informação é realmente relevante?” “Por que eu preciso passar isso adiante?” “Será que eu realmente preciso usar esse tipo de vocabulário para me referir a essa pessoa? Eu gostaria que fizessem isso comigo?” “Eu preciso disso?”  Muitas vezes embrenhamos por essas conversas para ter a aceitação do grupo em que estamos. Suas amigas fazem um comentário sobre alguém e, quando você vê, já está concordando e fazendo outro, só no embalo. Mas será que você precisa desse tipo de aceitação? Nenhuma aceitação é mais importante que ser aceito por Deus. E como ser aceito por Deus?

“Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo.” Gênesis 4.7

Sinceramente? Eu estou pouco me lixando se vou ser aceita pelas pessoas ou não. O que eu quero é ser aceita por Deus. E aqui, veja só, no primeiro livro da Bíblia, Ele já diz, da Sua maneira simples de sempre, como a gente tem que fazer para alcançar essa aceitação: “se procederes bem, não é certo que serás aceito?”. Por que, então proceder mal? Medite nessas palavras, com muita atenção:

Porventura não erram os que praticam o mal? Mas beneficência e fidelidade haverá para os que praticam o bem.
Provérbios 14:22

O que cedo busca o bem, busca favor, mas o que procura o mal, esse lhe sobrevirá.
Provérbios 11:27

Amado, não sigas o mal, mas o bem. Quem faz o bem é de Deus; mas quem faz o mal não tem visto a Deus.
3 João 1:11

Não sejas sábio a teus próprios olhos; teme ao Senhor e aparta-te do mal.
Provérbios 3:7

Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Quem fala mal de um irmão, e julga a seu irmão, fala mal da lei, e julga a lei; e, se tu julgas a lei, já não és observador da lei, mas juiz. Há só um legislador que pode salvar e destruir. Tu, porém, quem és, que julgas a outrem?
Tiago 4:11,12

O temor do Senhor é odiar o mal; a soberba e a arrogância, o mau caminho e a boca perversa, Eu odeio.
Provérbios 8:13

Os retos fazem o seu caminho desviar-se do mal; o que guarda o seu caminho preserva a sua alma.
Provérbios 16:17

Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos Meus olhos; cessai de fazer mal. Aprendei a fazer bem; procurai o que é justo; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas.
Isaías 1:16,17

Buscai o bem, e não o mal, para que vivais; e assim o Senhor, o Deus dos Exércitos, estará convosco, como dizeis.
Amós 5:14

O esforço diligente para fazer o que é certo, se desviar do mal e não abrir concessões para as pequenas maldadezinhas aparentemente inocentes das palavras (ainda que dentro do nosso pensamento), nos aproxima de Deus e é recompensado com essas promessas. Se tudo tem dado errado na sua vida, pode ter certeza de que, ao obedecer a essas Palavras, você terá o próprio Deus do seu lado para ajudá-lo a endireitar. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será luminoso. E se a sua vida tiver essa luz, você conseguirá enxergar por onde anda. Quem anda na luz, não tropeça.

.

#JejumdeDaniel #Dia13

PS: Links para os outros posts da série:

Quer desamarrar sua vida? Comece eliminando este hábito – Parte 1

Quer desamarrar sua vida? Comece eliminando este hábito – Parte 2

Quer desamarrar sua vida? Comece eliminando esse hábito – Parte 2

i-want-yours-1321387

Por trás dos maus olhos pode se esconder uma insegurança. A pessoa vive tão na defensiva que se treina a identificar o pior (ou o que ela interpreta como pior) dos outros na esperança inconsciente (e irracional) de identificar o perigo e se proteger.

A natureza humana nos faz prestar atenção às pessoas. É natural que esse seja um dos nossos maiores focos de interesse. Mas não somos bichinhos dirigidos por sua natureza. Nossas escolhas podem — e devem — estar pautadas em nosso raciocínio. Temos que estar conscientes do que fazemos. Não vamos deixar de nos proteger de pessoas realmente mal-intencionadas, mas é necessário exercitar os bons olhos justamente para conseguir calibrar nossos sensores de criaturas perigosas. Caso contrário, corremos o sério risco de perder completamente a sensibilidade para isso.

Interpretamos com base no que vemos e ouvimos dos outros ou com base em nossas impressões, totalmente manchadas por nossos sentimentos mais ocultos e escuros, nossos medos, nossas dúvidas, nossos traumas. Geralmente projetamos nos outros aquilo que tememos em nós.

A frase atribuída a Carl Jung “Tudo que nos irrita nos outros pode nos levar a um melhor conhecimento de nós mesmos” é verdadeira. O que nos incomoda nos outros e nos leva a olhar com maus olhos, também nos leva a um melhor conhecimento de nós. Porque, sem dados, interpretamos com base no que temos dentro de nós. E isso, para quem vive mergulhado em maus olhos, é um problema. O que nos habilita a interpretar as ações ou intenções dos outros se não temos DADOS verificáveis? E, atenção: “tudo leva a crer” não é um dado verificável. Não é sequer um dado. Hipótese não é prova.

Em 98% das vezes, não temos dados, pois nossa cabeça faz as conexões conforme ela quer. E tira as conclusões que ela quer, com a lógica maluca que ela resolver inventar. Não dá para confiar nos pensamentos, lembra? Também não dá para confiar nos julgamentos.

Deus nos recebe e nos aceita com todas as nossas falhas de caráter, mas, para manter um relacionamento conosco, Ele exige que, pelo menos, nos esforcemos diariamente para nos encaixar no padrão ético do Reino dEle. Você não vai ser infalível, mas precisa sempre fazer o seu melhor para ser uma pessoa melhor. É o Reino de Deus, não é a casa da mãe Joana. Claro que vamos errar vez ou outra, mas isso não pode ser desculpa para enfiar o pé na jaca e fazer as coisas de qualquer jeito.

Em vez de tentar encontrar razões negativas para o comportamento de alguém, por exemplo, por que não tentar encontrar razões positivas? Já que você não tem como saber o porquê de fulano ter tratado mal a outra pessoa, em vez de achar que ele é arrogante, por que não pensa que ele provavelmente teve um dia ruim e acabou descontando por não saber lidar com isso? Então, você se lembra de quando teve um dia ruim e acabou fazendo a mesma coisa. E resolve orar pelo fulano, percebendo que não faz o menor sentido criticá-lo ou mesmo dar continuidade à conversa ou ao pensamento.

É um treino contínuo e eterno, mas fico feliz ao perceber que ouvir uma conversa maldosa hoje me dói os ouvidos. Me agride. Significa que desenvolvi uma sensibilidade que eu não tinha. E estabeleci uma regra radical: só posso falar das pessoas na ausência delas o que puder falar na frente delas (Já fui provada nisso e precisei falar na frente da pessoa…é um excelente incentivo para mudar o padrão de pensamento). Pelo menos, assim deixamos de ser os covardes que “comentam” pelas costas. E passamos a ter mais responsabilidade por tudo o que sai da nossa boca. A forma de pensar realmente muda. De verdade.

Se não gostamos de ser injustiçados, o mínimo que devemos fazer é nos esforçar para não cometer injustiça. Afinal de contas, colhemos tudo o que plantamos.

“Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas.” (Mateus 7.12)

Jesus está dizendo aqui que isso é o resumo da Bíblia. Quer acertar? Comece a olhar os outros como gostaria que olhassem você. Ore pelos outros como gostaria que orassem por você. Respeite os outros como gostaria de ser respeitado. Se a pessoa agir assim, não vai matar, não vai roubar, não vai cobiçar a mulher do próximo, nem dar falso testemunho… É tipo uma “pílula dos dez mandamentos”. Aprenda a fazer isso e você vai cumprir um montão de coisas de uma tacada só.

Garanto que vai sobrar mais tempo e energia para tarefas e conversas realmente úteis. Além, é claro, da promessa de que se os seus olhos forem bons, a sua vida terá luz. Vale a pena dizer não para esse tipo de conversa ou pensamento e limpar sua mente desse padrão estragado.

Amanhã tem a última parte dessa série. 🙂

#JejumdeDaniel #Dia12

PS:  Clique aqui para ler a primeira parte da série, caso não tenha lido.