Dentro de uma igreja, fique atento a isto se quiser acertar

mechanical-clock-1234989

“O Senhor disse: Visto que este povo se aproxima de Mim e com a sua boca e com os seus lábios Me honra, mas o seu coração está longe de Mim, e o seu temor para Comigo consiste só em mandamentos de homens, que maquinalmente aprendeu(…)” Isaías 29.13

O ser humano tem uma tendência irritante a se comportar como uma máquina pré-programada e a encontrar fórmulas, fôrmas e padrões para se encaixar. Nosso cérebro opera em economia de energia e tende, naturalmente, a encontrar uma forma de trabalhar o mínimo possível obtendo o máximo de aproveitamento. Isso é muito útil em algumas situações, como, por exemplo, nos hábitos repetitivos do dia a dia, como dirigir ou lavar louça. Depois que aprende, você não precisa pensar em todos os movimentos que está fazendo, pois seu corpo os executa automaticamente.

O problema é fazer isso com as coisas de Deus. Isso é muito, muito grave. Entrar no modo automático em questões espirituais faz com que você caia na vala da religiosidade e destrua seu relacionamento com Deus ou qualquer chance de construir um.

Deus não é um burocrata sentado atrás de uma mesinha esperando você entregar seu relatório. Ele não está minimamente interessado em ver que você cumpriu uma obrigação ou executou os movimentos certos. Ele quer saber o porquê de você ter feito isso. Quer saber o que você fez, por qual razão você fez, o que esperava alcançar quando fez e o que você pensa a respeito daquilo que fez. Ele está mais interessado no que você tem dentro da cabeça e do coração quando executa algo para Ele. Os pensamentos dEle são muito mais profundos e concretos que os do fiscal que analisa se você marcou o “x” no quadradinho certo.

 O temor que consiste em mandamentos de homens não é temor. É falsificado. Não leva ao lugar que só o verdadeiro temor a Deus, construído com base em um relacionamento sincero com Ele, pode levar.

Aprender mandamentos de homens maquinalmente, executar uma tarefa só por ter recebido uma instrução, como quem segue um manual sem raciocinar, é inútil. Você pode se esforçar o quanto for, pode se desgastar e viver exausto, mas será inútil. Se você honra a Deus com seus lábios e se aproxima dEle com meras palavras, mas seu coração está longe dEle, pode ter certeza de que não O encontrará.  “Não posso suportar iniquidade associada ao ajuntamento solene”, desabafa Deus em Isaías 1.15.

Hoje começou o Jejum de Daniel. Por ser um jejum de informações em uma época de overdose de informações, não é difícil fazê-lo por fazer e se contentar com a sensação comprovadamente agradável de se manter mentalmente desintoxicado. Também não é difícil fazê-lo por fazer e se contentar com aquele sentimento doloroso de estar sacrificando alguma coisa, principalmente aquele torto, que beira a penitência e que alimenta o espírito religioso.

Jejum de Daniel não é penitência. Não é sofrimento, dor, angústia e desespero. Não se trata simplesmente de abrir mão de entretenimento e informação secular e se tornar supersanto por 21 dias. Jejum de Daniel se trata de criar espaço na sua vida para ouvir a voz de Deus – de todas as maneiras com que Ele se expressa. É abaixar o volume do mundo e aumentar o volume do céu no grande e metafórico fone de ouvido da vida (sim, eu escrevi isso). Trata-se de substituição inteligente. Trata-se de conexão. É a oportunidade preciosa e imperdível de conhecer a Deus profundamente.

Duas palavras para você ter em mente nos próximos 21 dias: intimidade e estrutura. São as duas coisas que devemos buscar. Intimidade com Deus e estrutura espiritual. Se você tiver essas duas coisas, saberá exatamente em que precisa mudar para crescer e o que deve fazer para que sua vida seja, finalmente, digna de ser chamada de VIDA.

E se você já acha que tem essas duas coisas, continue buscando, mesmo assim. Qualquer edifício bem construído passa por vistorias frequentes para analisar se a estrutura não está comprometida. Qualquer casamento sólido passa por avaliações frequentes de intimidade, para saber se o casal está realmente em sintonia. Use esses 21 dias para isso, de forma orgânica, real, profunda e sincera. Desligue a máquina religiosa, por favor. E você nunca mais se esquecerá desse Jejum de Daniel.

.

PS: Pelos próximos 21 dias, teremos posts diários aqui no blog.

PS2: Para quem questionou: o endereço vanessalampert.com está redirecionando para lampertop.com.br. Os dois abrem a mesma página.

Como manter o foco

close

Você estabeleceu suas prioridades. Finalmente, se deu conta do que precisa ser feito e em que ordem seus afazeres e interesses precisam vir para que tragam o resultado que você quer. Você anotou tudo direitinho, uma coisa linda.

Então, a correria começa. Todo mundo quer atenção. Não só as pessoas, mas as situações, também. Os aplicativos, as redes sociais, os acontecimentos, as notícias, as fofocas, as inutilidades e milhões de ladrões de tempo aparecem, do nada, como em um jogo de sustos. Tudo é urgente. Absolutamente tudo. Como se milhares de janelinhas pipocassem na sua frente, no grande Windows da vida. O que fazer? Como agir? Como se manter focado no meio de tantas distrações que gritam seu nome e ameaçam se matar se você não se casar com elas?

Simples: mantenha a sua mente e as suas forças direcionadas à sua prioridade. As outras coisas virão, não tem jeito: pensamentos, pessoas, situações, notícias, todas aquelas coisas que citamos no parágrafo anterior e muitas outras. Saiba que elas virão. E será sua responsabilidade dizer “não”. Dizer “não” é fechar a janelinha intrometida. É clicar no “x” libertador. Se precisar muito retornar àquele assunto ou situação, anote na agenda. Marque um compromisso posterior com aquele negócio. Mas se for algo que aparece apenas para colocar você para baixo, não tenha receio de clicar no “x”.

A primeira pessoa para quem você tem de dizer “não” é você mesmo. Dizer não ao medo. Dizer não à vontade de se preocupar com o que os outros vão pensar ou deixar de pensar a seu respeito. Dizer não à vontade de se criticar. Dizer não às dúvidas. Dizer não às fofocas. Dizer não às reclamações. Dizer não aos maus olhos. Dizer não à vontade de pegar um atalho. Dizer não à vontade de manipular as situações. Dizer não ao impulso de agir sem ética. Dizer não às notícias que só querem cutucar suas emoções. Dizer não a conversas fora de hora. Dizer não aos ladrões de tempo.

Lembre-se: tempo e energia são recursos limitados. Escolha bem onde irá empregá-los para que se multipliquem, e não sejam sugados. É como aprender a fazer um bom investimento. Ninguém pega um maço de dinheiro e joga dentro da churrasqueira pensando em poupar. Porém, muitos fazem isso com seu tempo e sua energia, ao colocá-los em coisas que não têm nada a ver com suas prioridades ou com o que dizem querer.

É uma guerra dentro da mente. Dizer “não” dói. E, para pessoas como eu, dizer “não” aos outros dói até mais do que dizer “não” a si. Nessas horas, a fé, a convicção de que você está fazendo o certo e o foco no resultado que irá alcançar o manterão firme. Se você sabe para onde está indo e por que está fazendo o que faz, fica muito mais fácil entender e sustentar as decisões que toma e os sacrifícios que precisa fazer para se manter no caminho.