Os atrasildos do Enem e as prioridades

atrasildo
Foto: R7

Como acontece em absolutamente todos os anos, estudantes perderam a prova do Enem por atraso. Alguns colocaram a culpa no ônibus, outros, no trânsito e até na falta de orientação sobre o local da prova.

Não entra na minha cabeça que alguém se atrase para uma coisa que considere extremamente importante. O ideal é se programar para chegar com pelo menos uma hora de folga. Assim, se acontecer algum imprevisto e você se atrasar, ainda chegará antes. No entanto, nem todo mundo consegue entender isso. Provavelmente porque chegar uma hora antes significa que você vai ter de sacrificar uma hora da sua vida em que não poderá fazer mais nada. Mas o sacrifício faz parte da jornada de quem quer alguma coisa importante na vida.

Uma moça em São Paulo foi fazer compras na 25 de março e não encontrou lugar para estacionar a tempo. Outra esqueceu a caneta e não voltou a tempo para o local de prova. A mesma coisa aconteceu com a garota que esqueceu o documento no carro e, quando voltou para pegar, os portões se fecharam. Um casal no Piauí foi comer um pastel antes da prova e chegou com 15 minutos de atraso.

Incrível como as pessoas vivem no piloto automático e não sabem estabelecer prioridades. O Enem é a oportunidade para entrar na universidade e crescer na vida, certo? Isso parece algo bastante importante. Ele acontece apenas uma vez por ano, o que aumenta ainda mais sua importância. Se perder o deste ano, só ano que vem. Então, essa prova vale, no mínimo, um ano da sua vida. Aí você vai e troca por um pastel. Um ano da sua vida e o ingresso na faculdade por um pastel!!!! Ou por compras na 25 de março, coisas que podem ser feitas em qualquer um dos outros dias do ano…

O engraçado é que quando é para um show, para um jogo ou evento a que esses jovens queiram muito ir, eles não poupam esforços. É comum ver barracas montadas dias antes desses eventos. Quando o Backstreet Boys veio ao Brasil fazer um show este ano, teve quem aguardasse 36 horas em uma fila para não correr o risco de ficar atrás. Para o show da Katy Perry, foi pior: mais de vinte dias antes do show, os jovens já estavam com barracas montadas, se revezando em vigília, esperando o grande dia.

Há quem abandone emprego, há quem perca namoro, há quem abra mão de viagens. Sacrificam o que for preciso pelo que desejam. E é isso o que determina o que é importante: o quanto estamos dispostos a sacrificar para ter.

Muitos estão vivendo sem noção de prioridades. Jogam fora tempo precioso com coisas inúteis, preocupações, picuinhas, os pasteis e as 25 de março. Não percebem que, na vida, todos nós estamos participando de um processo seletivo muito maior, que exige sacrifício diário e muito foco. E, nesse processo seletivo, se você se descuidar e chegar atrasado, vai perder muito mais do que um ano de esforço.

Os estudantes atrasildos perderam a prova do Enem. Mas ano que vem terão uma nova chance e poderão fazer certo. Porém, as reportagens sobre os atrasos e o desespero daqueles que não entraram porque eles mesmos não sacrificaram o suficiente me fizeram lembrar da história das virgens néscias, que não se prepararam para o momento mais importante de suas vidas. E perderam a chance da eternidade.

As escolhas que você faz é que mostram o que realmente é importante. Pense no que você quer. Olhe o que está fazendo por isso hoje. Quais sacrifícios precisa fazer para viabilizar o que você quer? O que pode antecipar? O que realmente for prioridade irá guiar suas escolhas.

A lição do furacão Patricia

 

Hurricane_Patricia_3481778b

Ontem convocamos uma corrente de oração pelo povo do México por causa da ameaça do pior furacão da História. O Patricia, que começou como uma tempestade tropical e, em menos de 24 horas, escalou ao posto de furacão grau 5, perdeu força no início da madrugada (hora em que começamos a orar) e foi novamente rebaixado ao posto de tempestade tropical, do qual nunca deveria ter saído.

Claro que a primeira coisa que eu pensei quando soube disso foi: “não tem como ser coincidência”. E não tem como, mesmo. Ontem eu disse que a oração é um recurso muito poderoso — e subutilizado. Se você soubesse o poder que tem nas mãos, por meio da sua fé, sua vida seria bem diferente.

Quantas vezes você não viu isso? Um problema que começou pequeno de repente se torna um monstro potencialmente destruidor. Nesse momento, a pessoa tem duas alternativas:

1 – Reação emocional. — Se desespera, se entrega à ansiedade, à depressão, tem um troço qualquer. Toma atitudes impensadas. Sai de casa. Se descontrola. Pega um empréstimo com o agiota. Culpa Deus. Se mata. Mata a família.

2 – Reação da fé. — Entrega a situação a Deus, pede uma direção a Ele e confia. Mantém a certeza de que há uma saída e que Deus vai agir. Consegue manter a cabeça fria para tomar decisões com o raciocínio ligado. Assume as responsabilidades e, sabendo que Deus está no comando, se recusa a desistir e se recusa a embarcar no desespero.

A primeira alternativa é a que traz destruição e faz com que um problema temporário (e não há UM problema que passemos neste mundo que não seja temporário) se transforme em uma catástrofe sem retorno.

A segunda alternativa é a que transforma um furacão em tempestade e transforma a tempestade em calmaria. Essa é a que permite que a gente saia mais forte de situações horrorosas — e com uma história de superação para contar.

Pode até parecer difícil optar pela segunda alternativa em um momento de decisão, mas, na verdade, não é. Quando você entende que é a única forma de conseguir um resultado decente, você sacrifica o que for preciso (inclusive o seu medo e seu impulso de se descontrolar e dar piti) para fazer a escolha certa.

Isso me lembra de outra tempestade:

“E levantou-se grande temporal de vento, e subiam as ondas por cima do barco, de maneira que já se enchia. [Nota da Vanessa: ou seja, um problemão ficando cada vez pior] E ele estava na popa, dormindo sobre uma almofada, e despertaram-No, dizendo-Lhe: Mestre, não se te dá que pereçamos? [NdV: discípulos dando chiliquinho “o Senhor não está vendo que vamos morrer?” Não raciocinaram, né? Se Ele os chamou para uma missão que ainda não tinham terminado de cumprir, como morreriam? Ele estava ali no barco, como assim estavam perecendo? Mas quem olha para as circunstâncias só vê as circunstâncias…]

E Ele, despertando, repreendeu o vento, e disse ao mar: Cala-te, aquieta-te.  [NdV: Ele falou com o mar. Ele repreendeu o vento. Como disse J.Edington no livro “50 tons para o sucesso”, tudo tem ouvidos para a fé] E o vento se aquietou, e houve grande bonança.
E disse-lhes: Por que sois tão tímidos? Ainda não tendes fé? [NdV: Aqui Ele explica…vocês estavam se desesperando à toa, por timidez. Tenham coragem e coloquem sua fé em prática para saírem das encrencas]

E sentiram um grande temor, e diziam uns aos outros: Mas quem é este, que até o vento e o mar Lhe obedecem?” [NdV: amiguinhos não entenderam nada. Se soubessem quem Ele era, não teriam tido medo, para começar. E saberiam que, por meio da fé, nada é impossível. O vento e o mar obedeceriam a eles também, se tivessem usado a fé. Esse foi o puxão de orelha que Jesus deu e que vale para todas as vezes em que nos deixamos levar pelo medo.]

Marcos 4:37-41

PS: Me perdoem pelo título com eco. Sério, isso me incomoda horrores. Vou escrever sobre isso, para que vocês se incomodem junto comigo rs. 😛