Agarre a corda!

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Nasci em uma igreja protestante tradicional, passei por uma neopentecostal do cai cai, depois voltei para a primeira igreja e, finalmente, em dezembro de 1999 fui para a Universal. Mas demorou DEZ anos para minha ficha cair. Só em junho de 2009 é que percebi que eu era apenas uma religiosa e não tinha conhecido a Deus, de verdade. Toda a peninha que eu sentia de mim mesma se transformou em profunda raiva contra aquele espírito religioso que me enganou por tantos anos. E decidi jogar TUDO fora e começar do zero. Por isso, quando vejo comentários como o da Ana Carolina, a revolta contra esse mal cresce e dá vontade de sacudir a pessoa (com amor, tá?), como eu tenho vontade de sacudir a velha Vanessa quando leio algo que escrevi antes de 2009. Era sempre esse discurso de “não consigo”, de “está difícil” e essas coisas que me irritam muito hoje porque sei que são a voz do ladrão.

O pensamento em círculo faz com que a pessoa que está dentro do poço não veja a corda para sair. Ela se foca nas coisas que não fez, que não conseguiu, que não deram certo e nas frustrações, então, não faz nada de útil com o “hoje” e, com isso, gera mais frustrações. O problema do pensamento em círculo é que ele nos aprisiona. Quem olha para o próprio umbigo não olha para cima.

O comentário não era para mim, era para o Bispo, mas não consegui não responder. E resolvi postar aqui também porque pode ser que ajude alguém que está no Jejum de Daniel com conflitos semelhantes. Não sei se a Ana Carolina vai voltar lá para ler, mas se eu puder chacoalhar alguém hoje, terei cumprido minha missão rs. Sabe qual é minha maior revolta? É que se o diabo está atacando tanto assim a mente dela, é porque ele sabe que, se ela realmente nascer de Deus e receber o Espírito Santo, fará um estrago no inferno. Se não fosse alguém potencialmente perigoso para o mal, ele não se esforçaria tanto para neutralizá-la.

Segue o comentário e minha resposta:

“Bispo eu já não suporto mais viver como vivo! São 13 anos que vou à igreja, praticamente nasci nela, que peguei firme mesmo e resolvi me entregar fazem 2 anos! Logo no começo me enganei achando que tinha o Espirito de Deus e estava convencida na igreja e não convertida! Todos os meus frutos eram maus, ao chegar o ponto de minha mãe que tbm é da igreja dizer que depois que comecei a ficar mais na igreja e aparentemente envolvida com as coisas de Deus, eu estava bem pior do que antes! Ah bispo isso me matou por muito tempo, até que resolvi realmente ter um encontro com Deus! Mas eu não tenho força, não tenho ânimo para as coisas de Deus, eu O desejo, mas não consigo tirar de mim toda essa frustração.

Eu sou aquela velha criatura que faz, faz mas nada nunca acontece na minha vida, sou um rio seco, parado no tempo! Ouço tantas pessoas dizerem dessa Água insaciável, e eu nunca VIVI nada parecido, e parece que nunca vou viver! Pra mim a minha vida é essa, parece-me que não sou uma escolhida de Deus, por isso tamanha luta. Comecei o jejum firme e forte, mais isso foi só os 3 primeiros dias! Agora já nem oro mais, pois nada acontece pra mim. Bispo me ajuda, eu estou abaixo do poço, e já não tenho mais saída a não ser aceitar a minha condição!

Ana Carolina

Ana, quando o Bispo Macedo diz que os sedentos são escolhidos a dedo pelo Espírito Santo, ele não está dizendo que algumas pessoas são escolhidas e, para as demais, não tem mais chance. O que ele quer dizer é que Deus viu alguma coisa naquelas pessoas e, por isso, as escolheu. Somos nós que nos fazemos escolhidos. Quer saber realmente como resolver essa situação? Pare de se focar no que você não consegue, nas suas frustrações, no passado e comece a se focar naquilo que você quer.

Se você quer essa Água, então você já está sedenta. PARE de dar ouvidos à voz que diz “nada acontece para mim”, “eu não sou escolhida por Deus”, “nunca vou viver isso”, “não tenho mais saída a não ser aceitar a minha condição”. Isso é a voz do diabo! É o maldito espírito enganador que não quer perder você. Não se engane, esses pensamentos não são seus, são plantados na sua mente para tentar parar você. Não espere sentir ânimo para as coisas de Deus. Vá até Ele e diga tudo isso que você escreveu aqui nesse comentário.

Passei pelo que você passou, até obreira fui sem ter nascido de Deus. Sabe quando eu tive um encontro com Deus? Quando decidi que iria me esquecer de tudo o que eu achava que sabia e de toda a minha vivência dentro da igreja até então (meu raciocínio era: se até agora eu não O encontrei, é porque não entendi nada direito! Então, não valeu de nada o que eu achava que sabia). Pedi a Ele que me ensinasse do zero, eu ia me esforçar para manter a mente limpa como alguém que está chegando na igreja hoje. Ia à igreja sem condições físicas para tal, sem sentir vontade, sem ânimo algum, mas acordava às cinco da manhã para pegar a primeira reunião, no frio do inverno de Porto Alegre, de ônibus, porque nosso carro resolveu quebrar justo nessa época. Ia para ouvir o que Ele tinha para me ensinar. Isso já era sede, ainda que eu não soubesse. Mesmo não sentindo vontade de ir, a minha atitude mostrava a minha decisão. Escolhi esquecer todo o passado e ignorava qualquer sensação que viesse contrária ao que eu havia decidido.

Eu queria nascer de Deus, como você quer. E lutei contra meus pensamentos e contra meus sentimentos. Me fiz de doida, mesmo. E decidi que não iria desistir enquanto não mudasse. Aí não tem jeito, quando você DECIDE e se mantém firme (parecia teimosia, mas era perseverança. Contra o diabo a gente pode teimar rs), é impossível não chamar atenção de Deus. Ele é quem seleciona. Ele é quem escolhe. Como em um processo seletivo, quem se dedica mais é escolhido. O Reino dos Céus é tomado por violência. Somos escolhidos não pelo que fazemos do lado de fora, mas pelo que mostramos para Ele do lado de dentro. Não uma perfeição ou extrema santidade, mas humildade, sinceridade e desejo de estar com Ele.

Não se deixe enganar pelo mal, pegue toda essa energia que você mostrou nesse comentário e que você tem usado para destruir sua confiança, lembrando do passado e alimentando a frustração e a negatividade e a use para agarrar a corda que está aí no poço com você. Sacrifique esse passado aí e a vontade de ficar remoendo o que aconteceu e se achando a última das criaturas. Não deixe mais o diabo enganar você. Aceitar a miséria espiritual NÃO É ALTERNATIVA. Dê um chutão no diabo, agarre a corda e use todas as suas forças para ser 100% honesta com Deus, sair do poço e se tornar uma fonte de Água Viva.

#JejumdeDaniel  #Dia14

 

 

 Amanhã de manhã tem novo post aqui.

** Estamos em uma jornada de 21 dias de jejum de informações e entretenimento chamado Jejum de Daniel. Durante esses dias, os posts no blog serão diários e voltados exclusivamente para o crescimento espiritual. Leia o post do dia 19 para entender melhor.

O que Morri para Viver nos ensina

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O livro “Morri para viver” (Editora Planeta) conta a história da Andressa Urach, fora da ordem cronológica, dando pinceladas por toda a vida da moça, explicando quem ela foi e por que ela se tornou aquela pessoa. O que ela conta que viveu é a realidade de muitas meninas. Ela resolveu se transformar em femme fatale para encobrir sua insegurança e seu desconforto com o próprio corpo.

A mãe separou do pai e Andressa foi criada em uma família desestruturada. Foi abusada pelo avô de criação e cresceu revoltada e traumatizada. As brigas com a mãe eram constantes, pela imaturidade das duas. Como diz a Bíblia, um abismo chama outro abismo. Em pouco tempo, a menina se envolveu com drogas, com más companhias e depois se afundou nas festas e na prostituição.

Me chamou atenção a forma como ela entrou na prostituição. Não foi de uma hora para outra, mas de uma forma muito gradual, para que ela tivesse a ilusão de que teria algum controle da situação.  É assim que o diabo faz, ele manipula aos poucos, fazendo a pessoa achar que está tendo liberdade, enquanto, na verdade, está sendo induzida e escravizada.

Andressa se tornou escrava. Escrava do mundo, escrava de suas vontades, escrava de seu temperamento, escrava de suas escolhas erradas. Fez dezenas de intervenções estéticas, mudou seu rosto e seu corpo para se tornar um produto melhor. Ela se transformou em um produto. Em um objeto. Todo aquele seu desespero para aparecer era uma estratégia para se manter exposta na vitrine da mídia, como um produto de consumo no mercado da prostituição. A exposição aumentava seu valor de mercado.

Algumas pessoas têm desprezo por mulheres que vendem seu corpo. Eu tenho profunda compaixão. Não consigo acreditar que alguém se sinta feliz ao se posicionar no mundo como um pedaço de carne, como um objeto para ser usado, saindo com desconhecidos, se expondo a perigos absurdos. Principalmente porque ninguém vê essas mulheres como seres humanos com dignidade, ninguém as respeita (nem elas mesmas). Elas são usadas e desprezadas como lixo. São compradas e vendidas. A admiração que recebem também é ilusão. No fundo, ninguém as quer. Podem até querer seus corpos, mas não a elas, de verdade. E, para manter a atenção e o dinheiro, elas aumentam a apelação. E quanto mais apelam, mais são desprezadas e desvalorizadas.

Talvez por isso muitos tenham visto a conversão de Andressa como um escândalo. Na cabeça dessas pessoas, mulheres como a Andressa existem para serem usadas, ridicularizadas e descartadas. Elas são lixo. E, então, Deus mostra que não enxerga essas mulheres como a maioria as enxerga. Deus mostra que elas não são lixo, elas são preciosas. Ele as tira do meio da lama e as transforma em princesas, em filhas do Rei.

Esse é o caráter de Deus. Ele não usa ninguém. Ele as respeita e as reintegra quando clamam por Ele. Ele as quer, de verdade, por quem são, sem se importar com o que já foram.

O livro da Andressa Urach escancarou a realidade do “mundo dos famosos”, do jornalismo de celebridades e de grande parte da indústria do entretenimento: há uma grande vitrine. O jornalismo faz cafetinagem sem saber (sem saber? Será?) e muitas meninas estão sendo atraídas pelos holofotes sem saber que estão caminhando para o matadouro. “Morri para viver” escancara essa realidade e desmascara a estratégia usada para roubar e destruir a vida e a inocência de muitas meninas que se espelham nas Andressas Urachs da vida.

Além de ser um exemplo de superação e um testemunho do poder de Deus, ainda serviu para jogar uma bomba no negócio lucrativo do mal, que arrastava muitas meninas para a destruição. Pelo menos agora está bem claro no que elas estão se metendo. E, para nós, dá um panorama impressionante do que se passa dentro de uma mulher que se permite entrar nesse mundo.

Escrevi, quando comprei o livro: “Por toda a minha vida eu estive dentro de alguma igreja evangélica e nunca fiz as coisas que ela fez, mas o vazio que ela sentia eu também sentia. As motivações interiores que a levaram a alguns erros me levaram a outros, ainda que nossas experiências tenham sido tão diferentes. E se não cometi os erros que ela cometeu, cometi outros e, diante de Deus, não há diferença. Ele acolhe quem quer abandonar o erro e se tornar um filho dEle, independentemente de seu passado. E, se Ele vê assim, como poderíamos ver diferente?”

Ainda que os erros dela sejam diferentes dos erros que eu cometi, todo mundo tem um pouquinho de Andressa Urach dentro de si, que é a natureza humana. Todo mundo nasce com ela e é ela que nos predispõe aos erros que cometemos. Se não cometemos os que a Andressa cometeu, cometemos outros. E não há pecado menor que o outro. “Morri para viver” mostra quem Andressa foi e quem ela se tornou, mas, muito além disso, mostra quem Deus é e quem nós somos.

#JejumdeDaniel  #Dia13

 

PS: E esse livro é leitura para Jejum de Daniel? Eu acredito que sim. Justamente por tudo o que escrevi aí em cima. Apesar do que a mídia sensacionalista divulgou por aí, o livro não é vulgar e o foco dele não é o que Andressa fez, mas o que Deus fez por ela. E eu li tentando entender o pensamento de Deus em relação a ela. Como Ele a via antes. O quanto Ele esperou pela oportunidade de alcançá-la. E o quanto não há diferença entre quem está perdido sem Ele, não importa o que fizeram ou deixaram de fazer.

PS2: Escrevi um recadinho a quem se diz cristão e desconfia da conversão da Andressa. Clique aqui para ler.

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