Mês: agosto 2021

O Corpo de Cristo – Parte 1: Um pouco sobre servos

Estamos vivendo os últimos dias, você já sabe. Nesse período, o espírito que tem dirigido este mundo é o espírito do engano. Infelizmente, ele tem se infiltrado no meio cristão de tal modo que é muito complicado lidar com conteúdo cristão (principalmente na internet) e não tropeçar em alguma coisa contaminada. Estamos em tempos de Jejum de Daniel e é possível que alguém, em busca de conteúdo cristão, acabe encontrando coisas esquisitas por aí. Por isso, resolvi fazer esta série de posts sobre nossa função neste mundo. Para que recebemos o Espírito Santo? O que é a igreja? Qual é a nossa função como membros? Que tipo de pessoas devemos ser? É verdade que não precisamos de instituição porque a igreja somos nós? Essas e outras perguntas serão respondidas durante essa série de posts. Minha intenção é esclarecer os tópicos à luz da Bíblia, para trazê-los para o nível espiritual, de onde eles nunca deveriam ter saído.

“E Ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.” 

“Ele mesmo deu uns para apóstolos…” Veja que, segundo Paulo, é o próprio Deus quem dá as responsabilidades às pessoas dentro da igreja. Note também todas as vezes em que ele diz “até que”, “para que”. É importante prestar atenção a esses termos, que em português chamamos de “conectivos”, porque eles conectam as ideias em uma sequência lógica. Junto com os verbos, eles nos fazem entender o que o autor estava querendo dizer. 

Aqui ele fala do objetivo de Deus ao dar responsabilidades às pessoas dentro da igreja e qual é a finalidade do trabalho dessas pessoas na igreja. A finalidade do trabalho dos apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e doutores é nos fazer chegar à unidade da fé, ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo. Ou seja, o objetivo é nos aperfeiçoar para que tenhamos todos o mesmo pensamento de fé — a mente de Cristo — e possamos trabalhar juntos pelo crescimento do Reino de Deus. Por sua vez, o objetivo desse aperfeiçoamento é que não sejamos mais crianças na fé, inconstantes, levados por qualquer abobrinha dita por um pastor aleatório de internet (tradução da Vanessa, em versão super atualizada). 

 É bom esclarecer que Paulo não está falando de títulos, mas da responsabilidade de cada tipo de trabalho dentro da igreja. Há “pastores” carnais no meio evangélico que ensinam que esses termos são títulos e colocam maus olhos nas pessoas quanto a quem os usa, ignorando que esses termos (bispo, diácono, presbítero, pastor, apóstolo) são, na Bíblia, apenas substantivos usados para designar determinados trabalhos que, como eu, Paulo e o Espírito Santo já dissemos, têm como objetivo o aperfeiçoamento do povo da igreja, para a obra do ministério e edificação do corpo de Cristo. 

Quer dizer, como aprendemos na Universal (e na Bíblia! Mas parece que algumas igrejas se esqueceram), quanto maior o “titulo”, mais servo o homem deve ser, pois maior é sua responsabilidade na igreja, mais trabalho ele tem e mais cobrado ele será de Deus e de seus superiores. E mais sofrerá perseguição, calúnias, desprezo e fake news. E mais terá que sacrificar pelo povo. Suas atitudes têm peso maior e seus erros têm consequência maior. 

No mundo, quanto mais alto o cargo, mais vantagem se tem, porque quanto mais alto na hierarquia o cara estiver, menos pessoas acima dele a quem responder. Quando chega no topo, ele não responde a mais ninguém. É o presidente do STF e se julga o próprio Supremo. Mas no Reino de Deus não funciona assim. Existe apenas Um no topo, todo mundo tem Alguém a Quem responder, todos respondem ao mesmo Senhor. Não recebemos poder e autoridade para subjugar as pessoas, recebemos poder e autoridade para subjugar o mal. E quanto mais responsabilidade a pessoa tiver, mais terá a responder. Para Deus, a quem muito é dado, muito é cobrado. 

Na Bíblia é exatamente assim. Ou seja, NA VIDA REAL, é assim que funciona. Se a pessoa tem o que o mundo vê como “título” e que, na verdade, nada mais é do que uma responsabilidade, ela está se comprometendo mais, sacrificará mais, receberá mais trabalho e juízo maior. Por isso não deve ser algo desejado ou cobrado por pessoas, mas sim comissionado pelo próprio Deus, que coloca o chamado dentro da pessoa a quem Ele quer chamar. 

Por essa razão, eu sempre digo que ninguém deve começar na igreja achando que uniforme é plano de carreira e nenhum obreiro deveria cobrar evangelistas de que sejam obreiros por achar que devem “subir de nível”. Quem eu vi pensar assim, nem na obra está mais. O que devemos almejar é ser servos de Deus. Nos colocar à disposição dEle para que Ele nos use como quiser — afinal de contas, é Ele Quem escolhe. 

Eu, por exemplo, no início (21 anos atrás) cometi o erro de achar que, por já me julgar espiritualmente “pronta” (e nem estava…) deveria “passar de nível” e me tornar obreira. Até consegui o uniforme, mas não era aquilo que Deus queria de mim. O que Ele queria de mim naquele momento era que eu continuasse o meu desenvolvimento e, primeiro, entendesse que eu não tinha o Espírito Santo coisa nenhuma e que precisava disso, para depois continuar o processo. Eu me libertei, estava me sentindo melhor, e me apoiei nos meus conhecimentos bíblicos anteriores e nos novos conhecimentos sobre a fé, para achar que agora estava pronta para o “próximo passo”. Enquanto, na verdade, não havia dado nem o anterior… 

Quando percebi que eu não estava pronta, já tinha um uniforme. Servi por um ano, até perceber que eu não tinha estrutura e devolver, por temor. Somente quase dez anos depois de ter devolvido o uniforme, finalmente nasci de Deus, recebi o Espírito Santo e me coloquei à disposição de Deus para servir, mas pedi a Ele que decidisse como eu serviria. Eu não queria errar de novo. 

Minha vontade era 100% colocar um uniforme imediatamente e ir expulsar demônio hahaha. A minha vontade era de me candidatar e deslizar para dentro de um uniforme, mas desta vez decidi pedir para Deus fazer a vontade dEle, secretamente torcendo para receber a certeza de me candidatar para ser obreira, mas a certeza que recebi foi de que não deveria fazer isso. Que deveria esperar, porque Ele me chamaria, mesmo como membro. E sacrifiquei o uniforme da minha vontade por um uniforme maior: o da obediência. Este uniforme, aliás, precisa estar dentro de você antes de qualquer outro e depois de qualquer outro. O servo é servo, e nunca deixará de ser. 

O fato de Deus chamar alguns para responsabilidades mais específicas não significa que o membro não seja chamado para nada ou não tenha responsabilidades. Pelo contrário, a responsabilidade do membro também é grande. (Tão grande que vou tratar especificamente desse assunto em outro post.)  E a dedicação do membro não pode ser menor que a de um obreiro. O chamado de ir por todo o mundo e pregar o Evangelho a toda a criatura é para TODOS. O que muda é a forma de se fazer isso. Talvez você vá ter um título que traz uma responsabilidade, ou talvez você vá ter responsabilidade sem ter título. Mas responsabilidade todo mundo tem. Deus nos limpa, nos transforma, nos dá o Espírito dEle e agora temos muito a fazer, com uma seara enorme que precisa de trabalhadores. 

Não me consta que exista alguém dentro do corpo de Cristo que possa ficar tranquilão, de pernas para o ar, sem fazer nada, esperando Jesus voltar. Se faz parte do corpo, é membro e vai ter uma função no Reino de Deus, para salvar almas. (E aqui cabe acrescentar que nem todo mundo que está fisicamente na instituição igreja faz parte do corpo de Cristo. E nem todo mundo que se diz cristão — frequentando ou não uma igreja — faz parte do corpo de Cristo. Esse assunto também merece post à parte.)

Quando você busca o Espírito Santo, quando decide deixar de viver para que Ele viva em você, está se alistando para se tornar parte de uma estrutura espiritual na qual você terá de aprender a viver em cooperação com outros por um objetivo maior: salvar almas. Você recebe vida para passar vida a outras pessoas. Este é nosso objetivo neste mundo. Alcançar os sofridos e salvar essas almas, a começar pela nossa. Mas, para isso, Deus criou um modelo muito bonito e funcional: a igreja, que Ele chama de “o corpo de Cristo”.

 Amanhã vamos entrar no assunto “Corpo de Cristo”, porque, afinal de contas, se queremos desenvolver em nós a Mente de Cristo durante este Jejum de Daniel, é para fazermos nossa parte no Corpo dEle, tanto em conjunto como individualmente.

Para acompanhar todos os posts desta série: vanessalampert.com/category/o-corpo-de-cristo/

O Corpo de Cristo – Parte 2: As Juntas

Posts relacionados:

O perfume

Andressa Urach me fez mudar de ideia — Parte 6: Se eu falasse tudo o que aconteceu comigo nesses últimos anos

.

PS. Talvez eu não devesse começar a série já falando de responsabilidades, mas achei importante começar “desconstruindo” (detesto essa palavra, mas não tem outra) essa ideia de que nomenclatura de funções é “título” ou “cargo” no sentido mundano da palavra. 

PS2. O Reino de Deus é coisa séria. Você recebe coisas maravilhosas, como VIDA, felicidade, paz, estabilidade emocional, força interior e a Salvação Eterna. Mas não é a casa da mãe Joana (na verdade, a julgar pelo nome, a casa da mãe Joana é bem o contrário). Tem regras, tem organização, disciplina. Tem liberdade, mas não é a liberdade da bagunça, que o mundo acha que é liberdade — e não é. Como sempre, o mundo não sabe de nada. Não sabe o que é amor, não sabe o que é alegria, não sabe o que é liberdade. Se você está chegando há pouco ao reino de Deus (mesmo que esteja em uma igreja há mil anos), vai ter que reaprender todos esses conceitos à luz da Palavra dEle. 

PS3. Em 2013 escrevi esse texto: O Perfume depois que, na igreja, esperando a reunião começar, senti o cheiro da sala de campanha, dos elementos que estão sempre sendo usados por lá, e comecei a meditar no que ele significava.

PS4: Salve o link da categoria, para não perder a série.

 

Retomando o controle da sua atenção

Hoje começa o Jejum de Daniel. 21 dias longe de conteúdo secular inútil, focando nossa mente nas coisas de Deus. É importante fazer o Jejum de modo não religioso e não automático. Infelizmente, é fácil ligar o modo automático e trocar aquela enxurrada de informações seculares por uma enxurrada de conteúdo religioso. Sei que é mais fácil e nosso cérebro adora uma facilidade, mas não faça isso! Não basta ficar sem conteúdo secular ou sem redes sociais. 

Você não precisa (e nem deve) se entupir de conteúdo, substituir o secular pelo cristão no mesmo volume insano. O objetivo do Jejum de Daniel não é se encher de informações, mas se encher dos pensamentos de Deus. Para isso é preciso desacelerar. Ver menos coisas e pensar mais nas coisas que vê. 

Uma pesquisa recente mostrou que o modo como usamos a internet está mudando a memória, a atenção e as habilidades sociais das pessoas. O alto fluxo de informações faz com que nossa atenção se torne dividida e diminui nossa capacidade de manter a concentração em uma mesma tarefa. As mudanças em nossa capacidade de reter informações são ainda mais assustadoras. Como conseguem recuperar informações online, as pessoas pararam de estocá-las em sua memória. Um estudo mostrou que a atividade cerebral em áreas críticas da memória diminui conforme as pessoas pesquisam informações online. 

A razão disso é que cérebro funciona em constante economia de energia. Ele consome cerca de 20% da energia do nosso corpo e, por isso, quanto menos gasto tiver, melhor irá trabalhar. Assim, seu esforço é direcionado para automatizar o máximo possível de atividades, para sobrar mais energia para as funções importantes. Quando percebe que a informação que ele busca está disponível do lado de fora, não vai se esforçar para armazená-la. 

Outro estudo mostra que nosso cérebro sente “fome” de informação. O consumo de informações ativa o sistema de recompensa cerebral, liberando dopamina (neurotransmissor ligado à sensação de prazer, relacionado também ao consumo de drogas). Então, podemos dizer que a informação (qualquer tipo de informação, o cérebro não diferencia se é algo útil ou porcaria) pode funcionar como uma droga. Imagine o que acontece quando a informação vem em alta quantidade e de consumo super rápido — como fotos, textos curtos, vídeos curtos, como os que consumimos diariamente nas redes sociais? Funciona mais ou menos como o que uma balinha cheia de açúcar e glucose de milho faz com nossa glicemia: joga o nível de glicose lá no alto e, depois da “onda”, o derruba rapidamente, fazendo com que precisemos de mais glicose, em um ciclo infinito (como a rolagem da tela do Instagram). 

Estamos sendo treinados a interagir com inúmeros links e conteúdos de uma maneira superficial na internet, sem prestar muita atenção a nada por muito tempo, apenas para receber a recompensa. Cachorrinhos esperando o biscoito. O que isso causa em nosso cérebro é a formação de um padrão de não prestar atenção em nada por muito tempo e manter sempre uma interação superficial com qualquer conteúdo. 

Você já deve imaginar o desastre que isso causa nos relacionamentos e — principalmente — no relacionamento com Deus. A tendência é transferir essa superficialidade também para o campo espiritual, e espiritualidade superficial nada mais é do que religiosidade vazia, um conjunto de rituais e práticas que nos dão a sensação de estarmos fazendo alguma coisa para Deus, mas que, sem a devida atenção, não surtem efeito. 

E nessa lista de rituais e práticas se incluem coisas que são muito importantes, a menos que sejam esvaziadas por essa tendência à superficialidade, como, por exemplo: orar diariamente, ler a Bíblia, ir à igreja, ouvir conteúdo cristão, etc. Não se trata do que você faz, mas de como você faz. Todas as coisas relacionadas à prática da fé têm absoluta necessidade de total atenção, foco e entendimento do que está sendo feito e do porquê está fazendo aquilo. E não apenas atenção à prática específica (como, por exemplo, a oração), mas a atenção nos demais momentos da vida, que é quando você vai colocar em prática aquilo que aprendeu durante a leitura da Bíblia ou durante a oração. Sem essa atitude de humildade, atenção e raciocínio, sua prática diária espiritual nada mais é do que exercício de religião. 

É preciso diferenciar religião e prática da fé e muitas vezes a diferença está mais no modo de se fazer determinadas coisas do que nas coisas, em si. Duas pessoas podem ter exatamente as mesmas práticas de aparente espiritualidade, mas uma delas está sendo religiosa e a outra está, de fato, vivendo a fé. Não cabe a nós julgar quem é quem — até porque, não temos acesso ao interior de ninguém além de nós mesmos. O que nos cabe é fazer o sacrifício que for preciso para garantir que sejamos aquela pessoa que está vivendo a fé de forma sincera. E muito do que define a sinceridade da sua fé está naquilo que você faz nos momentos em que não está fazendo coisas religiosas. Nas suas escolhas diárias, no seu modo de ver as pessoas, no julgamento que faz dos outros e de si mesmo, nos hábitos diários, naquilo em que gasta a maior parte do seu tempo e energia.

 A internet e as informações diárias (já que praticamente todos os meios de comunicação estão contaminados pelo ritmo acelerado da internet) precisam ser vistas como ferramentas e controladas por nossa capacidade de gerenciamento de tempo e definição de prioridades. Mas só conseguiremos fazer isso depois de tomarmos de volta o controle da nossa mente e o entregarmos para Deus. É preciso fazer um uso racional dessas novas tecnologias — e isso é verdade para qualquer pessoa que queira ser um ser humano funcional, mesmo aquelas que não estão minimamente interessadas em ter algum relacionamento com Deus. Quanto mais para aquelas que dizem estar preocupadas com o arrebatamento (que está logo ali) e a Salvação da alma! Como a pessoa espera ser arrebatada se 90% da sua atenção diária está sequestrada por um mecanismo que a tem treinado a ser superficial, emocional e focada no mundo físico? 

É possível ver claramente que o diabo tem usado esse nosso modo irracional de usar as novas tecnologias (principalmente as redes sociais que têm o scrolling infinito e o noticiário sensacionalista que só fala de desgraças) para formar uma sociedade de pessoas superficiais, constantemente irritadas e ansiosas, manipuláveis, pouco afeitas ao raciocínio, interessadas em buscar apenas seus próprios prazeres e treinadas a fazerem suas vontades. São exatamente essas as características do povo da época do anticristo, descrito no Apocalipse. E se não temos interesse de fazer parte desse pessoal, por que estamos treinando para isso com eles?

Nossa mente precisa da informação assim como nosso corpo precisa da comida, mas é essencial pensar na informação como algo que irá nutrir nosso espírito — nossa mente. Que tipo de informação devemos colocar dentro de nós? Essa é uma pergunta que exige uma resposta racional para guiar nossa escolha sobre o que consumimos. 

Obviamente, não iremos cortar completamente a internet de nossas vidas. Durante o Jejum de Daniel, nos abstemos de conteúdo secular inútil, notícias e conversas desnecessárias, mas continuamos acessando a internet para, por exemplo, assistir às lives diárias no Instagram do Bispo Macedo, acompanhar as reuniões do Templo de Salomão, assistir aos vídeos do Bispo Renato, ler os textos deste blog, etc. Continuaremos também consumindo informações em outros meios, como os livros da igreja, a Folha Universal e a revistinha do Jejum de Daniel (que também tem link para vídeos e conteúdo online).

 Por isso, precisamos entender que, além da desintoxicação mental, este período servirá para treinarmos um modo mais saudável de acesso à rede e às informações de um modo geral. Um modo intencional e consciente. Você não vai mais entrar na internet desmioladamente, como se tivesse todo o tempo do mundo. Vai entrar com prazo e propósito. Antes de acessar, defina o que irá acessar. Escreva em uma lista e siga exatamente o roteiro definido, pelo tempo determinado, de modo consciente. Não passe mais do que o tempo previsto, mas não faça seu acesso correndo. Lembre-se de que você precisa se treinar a passar mais tempo focado em uma só tarefa

Para isso, sempre que assistir a um vídeo, ler um texto ou uma passagem Bíblica, enfim, sempre que consumir um conteúdo da fé (online ou impresso), dedique algum tempo para pensar sobre o que consumiu. Pegue um papel e anote o que aprendeu, os pontos que mais lhe chamaram a atenção ou algo que você entendeu que precisa fazer. Eu sugiro que tenha seu caderno do Jejum de Daniel, para escrever e reler durante esses 21 dias. Tudo o que você aprender ou que se destacar na sua mente durante as leituras, coloque no papel. Mais tarde, releia e pense novamente sobre aquilo. Vai ajudar até na hora de orar, de saber o que pedir ou perguntar para Deus.

Dependendo do seu nível de dependência (estranha essa frase, “dependendo do seu nível de dependência” hahaha mas deu para entender, né?), talvez esse exercício seja um horror no início. Seu cérebro pode querer boicotar seus esforços, na tentativa de manter aqueles comportamentos que já estavam automatizados e com os quais ele conseguia poupar alguma energia e recebia recompensa (tudo ilusão, porque o excesso de informações cansa o cérebro e ele começa a tirar energia de outras funções. Mas ele não é muito esperto). Então, você precisa ser mais forte do que ele e manter seu propósito com uma ferramenta (na verdade, uma arma) que todas as pessoas possuem, mas quase ninguém usa: o sacrifício. Você lembra dele? Já falamos sobre isso em vários outros textos neste blog. 

Sacrifício, no sentido de renúncia, de abrir mão de alguma coisa por um objetivo maior. No caso em questão, conscientemente abrir mão da vontade de receber informações curtas e rápidas, com o objetivo de se desintoxicar desse ritmo enlouquecedor que o mundo tem nos imposto. Então, começaremos o Jejum ajustando nosso modo de consumir as informações que escolhermos consumir.

É assim que você vai recalibrar sua mente para se reconectar com Deus de um modo como talvez há muito tempo não se conectava (ou, quem sabe, nunca o tenha feito). O tema deste Jejum de Daniel é “21 dias para ter a mente de Cristo”. E eu lhe asseguro que a mente de Cristo não é acelerada, fragmentada e superficial como a mente das pessoas de 2021. E a nossa também não será. 

Fontes:

The online brain: how the Internet may be changing our cognition https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/wps.20617

Common neural code for reward and information value https://www.pnas.org/content/116/26/13061

.

PS1. Isso é importante para todo mundo, mas particularmente essencial se você for jovem. Quanto mais jovem, mais o seu cérebro tem sido formado desse jeito todo errado aí, então seu esforço terá de ser maior. Os mais velhos já viveram grande parte da vida sem internet e redes sociais, então, em teoria, deveria ser mais fácil (ou menos difícil) ter uma relação mais saudável com essas tecnologias. Afinal de contas, a gente sabe que é possível. Mas os mais jovens também têm a vantagem de qualquer mudança ser mais fácil de se fazer (pode não parecer, mas é). Vai exigir sacrifício para todo mundo, mas também vai beneficiar todo mundo. 

PS2. Você vai ser um ET neste mundo. Um ET que entende a Bíblia, que tem paciência para textos longos, que tem paciência para ler livros, que tem paciência para escrever e pensar naquilo que leu e assistiu. Bem-vindo ao planeta das pessoas que conseguem viver em paz no caos em que o ser humano está mergulhado. Aprenda a gostar de ser diferente, de ser do contra. 

PS3. Sugeri o uso de papel/caderno/caderneta para anotações, primeiro porque é mais fácil recuperar essas informações depois (acredite em mim. Explicar isso exigiria um novo post enorme). Segundo, porque a ideia é fazer você diminuir o tempo em frente a telas. E terceiro, mas não menos importante, pesquisas indicam que usar papel (em vez de tablets e celulares) para escrever e ler facilita o pensamento abstrato, o que ajuda na compreensão, reflexão e raciocínio (vá que seja verdade, né? Não custa tentar). Então, pode até fazer as anotações nas famigeradas telas, mas, se puder escolher, sempre dê preferência ao papel.

PS4. Para receber os avisos de posts deste blog, se inscreva em nosso canal privado no Telegram: https://t.me/joinchat/Sc3ZPNTs98TL20OP