O desafio

Deus olhou para o calendário e disse:

– Viu que hoje é sábado?

– Pois é, eu vi, essa semana passou voando e eu não consegui terminar isso ainda. – Respondi, sem tirar os olhos do que eu estava fazendo. Percebi que Ele deu um suspiro, daquele jeito que Ele faz quando precisa inspirar um pouco mais de Sua infinita paciência. Parei de digitar.

– Não vai fazer o texto para o blog?

– Ué, achei que eu estava dispensada de escrever no blog.

– Você não está incentivando outras pessoas a criarem seus blogs e escreverem?

– Estou.

– Como quer incentivar outros a fazerem se você mesma não dá o exemplo? – Antes que eu pudesse tirar minha resposta pronta da cartola, Ele destroçou meus argumentos, sem que eu sequer tivesse tido chance de desenvolvê-los:

– Você se lembra do que o Meu filho Renato disse, naquela reunião com os jovens? Peraí – e apertou o “play” em seu gravador. Pude ouvir a voz do bp. Renato dizendo algo como: “Eu escrevo seis vezes na semana. Por quê? Porque eu tenho muito tempo? Não!” – Deus parou a gravação, deu alguns segundos de silêncio para que eu pudesse meditar.

– Sim, mas eu achei que não se aplicasse a mim porque, o Senhor sabe, eu escrevo o dia inteiro e eu preciso entregar o…

– Vanessa, Eu sei de todos os seus prazos, de todos os seus trabalhos e também sei do seu tempo. Mas sei também que é possível tirar dez minutos para escrever alguma coisa no blog todos os dias.

– Dez minutos?

– É. Que tal o desafio? Dez minutos, todos os dias. O que conseguir escrever em dez minutos, pode publicar. Se não conseguir, continue no dia seguinte, desde que não seja menos de três vezes por semana.

– Mas para que isso?

– Você vai descobrir depois. Simplesmente faça.

– Mas sobre o que vou escrever?

– Qualquer assunto. Você vê notícias todos os dias. Escreva sua opinião a respeito delas. Desenvolva o argumento. Defenda suas ideias. Você lê textos ou livros, você passa por situações, faz comentários, você tem opinião sobre tudo, até sobre as coisas mais banais. Escreva. Pode ser depois do almoço ou pouco antes de dormir.

– Não precisa ser algo muito profundo?

– Não precisa ser nada que você julgue ser profundo. Tudo o que você escrever será útil, até o que for aparentemente inútil. Isso é um desafio. E Eu sei que você gosta de desafios.

– Combinado. Ainda não sei qual resultado isso trará, mas o Senhor tem razão, não posso cobrar dos outros o que eu mesma não fizer.

 

 

PS: Tenho que avisar: eu não ouço vozes, não tenho visões, essa é uma obra literária, não uma descrição de alguma experiência sobrenatural. (Pior é que eu realmente tenho que avisar isso…rs) Mas, de uma certa maneira, eu creio que Deus me disse algo assim. Logo, mãos à obra! 😛

Não entendo os seres humanos

A pessoa tem um cachorro e passa o dia gritando com ele para que ele não pule, não lata, não corra, enfim, não faça coisas que cachorros são programados para fazer. “Para de pular, Max!” “Para de latir, Max!” “Para de rosnar, Max!” “Deita, Max!” O pobre do Max teria de ficar deitado o dia inteiro, se quisesse agradar seus donos.

Cachorros latem. Gatos miam. Peixes fazem bolhinhas na água. Não tem como fugir dessas coisas básicas do reino animal. Se não quer um animalzinho que fique pulando em você, latindo, com a língua para fora, arfando e querendo brincar, não adote um cachorro. O que acontece é que as pessoas não pensam. Isso. Damos voltas e voltas e chegamos sempre ao mesmo assunto. As pessoas ligam o piloto automático e simplesmente reagem. Reagem às situações, reagem aos seus sentimentos, aos seus impulsos, aos seus instintos… Veem aquele filhotinho fofinho que parece um ursinho de pelúcia…”Ah, o Joaquinzinho vai adorar ter um cachorrinho para brincar” e pronto, levam para casa um ser que não é nem um ursinho de pelúcia, nem um brinquedinho. Não vai demorar muito para a frustração chegar.

Se tivessem pensado, raciocinado e percebido que o filhote ia crescer, que provavelmente não teriam tempo ou paciência de levar para passear, que ele iria latir e eles se irritariam, que teriam de levar para tomar banho, gastar com ração, castração (não, esse tipo de gente não castra, porque para decidir castrar a pessoa tem que pensar, também), veterinário, etc. etc. etc… Nem vou falar dos cuidados e gastos que se deveria ter com um gato, senão o post não terá fim e eu preciso terminá-lo em quatro parágrafos. Enfim, se eles tivessem pensado, provavelmente perceberiam que não estavam dispostos a se responsabilizar por um bichinho. E o Max hoje poderia estar mais feliz (se bem que acho que ele não tem muita noção disso tudo, então me parece bem feliz mesmo assim, tadinho).

Mas o que eu queria? As pessoas fazem isso com todas as outras escolhas! Não pensam na hora de escolher alguém para casar, não pensam na hora de definir uma profissão, não pensam na hora de decidir trazer outra criança a este mundo… não pensam. No entanto, nunca é tarde. Os donos do Max bem que poderiam se dar conta de que, enfim, o cachorro já está na casa deles. Já é responsabilidade deles. Então, o mínimo que eles podem fazer é cuidar direito. Se derem mais atenção a ele, provavelmente, ele ficará menos estressado, menos ansioso e se comportará melhor. Se aprenderem a lidar com o cachorro, continuarão tendo um cachorro (não será possível transformá-lo em alguma coisa que não pule, não lata e não faça xixi de alegria, por exemplo), mas terão um relacionamento melhor com ele, seus dias serão mais tranquilos e os vizinhos, certamente, dormirão mais felizes.