Dicas para donos de gatos

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Uma dúvida que muitos donos de gatos, que querem fazer as coisas direitinho têm é: O que um gato precisa para ficar em casa?

Castração, redes de proteção instaladas nas janelas…procure por “redes de proteção” no Google, seguido do nome de sua cidade, ou procure nas páginas amarelas da boa e velha lista telefônica…rs… Você vai precisar tirar a medida das suas janelas para fazer um orçamento. Tele todas as janelas, é um sacrifício necessário para garantir a segurança do seu gatinho sem noção.

A maioria das empresas parcela o pagamento. É um investimento necessário. Castração e redes de proteção saem, juntos, muito mais barato do que tratamento veterinário para recuperar um gato atropelado ou que caiu da janela do apartamento, vai por mim. Sem contar que muitas vezes os gatos acidentados ficam com sequelas sérias.

Não pense que por você morar em casa, em uma rua tranquila, em uma cidade tranquila, pode dispensar as redes de proteção. Isso não é inteligente.  Se acontecer algo com seu gato por ele estar na rua ou por ter acesso à rua, ou por morar em apartamento sem telas nas janelas, você é responsável. Se você ainda não leu, por favor leia com extrema atenção o seguinte texto deste blog: Sobre gatos (clique para ler).

Fora isso, algo importante é o enriquecimento ambiental.  Gatos não exigem grande coisa, não, mas você não pode esperar que ele fique quietinho dentro de uma casa extremamente sem graça. E você tem um gato, algumas concessões são necessárias. Por exemplo, você tem de ter uma caixa de areia na área de serviço, correto? Não vai deixar seu gato sair para fazer cocô na casa do vizinho e depois reclamar que o desalmado colocou veneno. Assim, você é cúmplice, pior do que o vizinho.

Você tem um gato, gatos precisam arranhar coisas, se você não tiver algo arranhável, não reclame de ele escolher seu sofá. Se for comprar um arranhador (ou fazer um), escolha um modelo mais pesado e alto o suficiente para um gato adulto arranhá-lo em pé (ou quase).

Mas alguns gatos ignoram solenemente o arranhador que seus donos compram…rs… Conheço gente que colocou um toco de árvore dentro de casa e o gato achou mais legal do que o arranhador…rs…  Eu tive um gato que não deu bola para o poste que compramos (mas também, o poste era ridiculamente pequeno, coberto por carpete…eu também ignoraria), mas adorava picotar caixas de ovo (aquelas de papelão).

Ah, caixas de papelão fazem a alegria de quase todos os gatos (existem exceções…no mundo dos gatos, ser exceção é a regra). Eu fiz uma pirâmide com rolos de papelão, sabe, aqueles que sustentam os rolos de toalhas de papel? Pois é, colei com um pouquinho de cola branca comum. Meus gatos gostam de caçar ratinhos de brinquedo que eu coloco lá dentro. Mas nas primeiras semanas, ignoraram solenemente.

Tome cuidado com os brinquedos que fizer. Pedaços pequenos podem ser engolidos, tintas podem dar intoxicação…pense em gatos como se você pensasse em crianças de dois anos, porque eles são tão sem-noção quanto. Ainda vou escrever sobre isso. Cientificamente comprovado, amigos, o córtex pré-frontal, parte do cérebro que dá noção de perigo, de prioridade e de consequência, nos gatos é ínfima. Ocupa 25% do cérebro humano, 7% do cérebro do cachorro e míseros 3% do cérebro do gato.

Problemas no córtex pré-frontal em humanos são a causa de TDAH, o Transtorno de déficit de atenção com hiperatividade.  Eles são extremamente inteligentes (na verdade, todos os animais são inteligentes, o problema deles é que são 100% emocionais e instintivos, a inteligência não é lá muito utilizada), mas completamente desatentos e sem noção de consequência.

Por isso seja responsável com seu gato, como seria com uma criança humana de dois anos de idade. Não deixe sacolas plásticas ao alcance deles, pois mesmo um gato que nunca se interessou por elas pode comê-las (eu perdi um por causa disso). Cuidado com fio dental, linhas de costura…enfim, acho que você entendeu.

Sobre brinquedinhos, você tem de testar. Isso varia de gato para gato. Alguns gatos gostam de bolinhas, outros não se importam com elas. Tive um que gostava daquelas bolinhas de borracha que pulam alto, sabe? Que a gente compra em maquininhas usando uma moeda de um Real. Sei lá, testa, compra e joga para ele. Mas não faça ela pular, que ele pode se assustar. Jogue para que ela role para o outro lado da sala.

O Tiggy só gosta de ratinho branco. E é um tipo específico de ratinho, não é qualquer um…rsrsrs…e esse ratinho está em falta no mercado, então tenho procurado substitutos, mas é difícil ele aceitar. Já a Ricota brinca com qualquer coisa, mas prefere bolinhas de pano. 🙂 E tem a brincadeira de “perseguindo o fiozinho”.

Eu tenho uma cordinha da espessura de um barbante, mas bem durinha, que tirei de um elástico de cabelo. Ela não é elástico, ficava enrolada no elástico. Vou encontrar um inteiro, comprar e tirar uma foto para mostrar, pois não encontrei no Google. Enfim, seguro em uma ponta da cordinha e corro pela casa, com o Tiggy correndo atrás…rs…ou passo a cordinha na frente dele, para ele pegar. Mas tem que deixar pegar de vez em quando, ou a brincadeira perde a graça.

Essa do fiozinho praticamente todos os gatos gostam, por isso tem de esconder os que eles podem comer quando você não estiver por perto. Eles se empolgam com a brincadeira e engolem os barbantes, fiozinhos, etc. Esse que eu uso não preciso esconder, pois é uma cordinha mais rija e bem longa, não dá para cortar com dentinhos (especialidade da Ricota), nem engolir.

Ah, e cuidado com papéis importantes. A maioria dos gatos gosta de picar papel, então não reclame se chegar em casa e sua conta de luz estiver em pedaços. Quem mandou deixar atirada em qualquer lugar? Seu gato está apenas sendo gato. 🙂

Dê acesso à sua casa. Ok, você não é obrigado a deixar o gato dormir contigo na cama, então feche a porta do seu quarto, mas dê a ele um lugar para dormir. Pessoas acostumadas com cachorro, uma novidade: gato não é cachorro! Não adianta fazer (ou comprar) uma caminha bonitinha, deixar na sala e achar que seu gato vai dormir apenas nela. É da natureza do felino dormir em lugares diferentes, e ele sempre vai preferir lugares mais altos, pois se sente mais seguro.

A propósito: gatos sobem nas coisas. Não adianta tentar “ensinar” seu gato a não subir no sofá. Você não quer que ele suba, porque “ele enche o sofá de pelos”? Então limpe seu sofá com mais frequência. 🙂 Use e abuse de seu aspirador de pó e tire os pelos do tecido do sofá utilizando uma luva de borracha, tira tudo! A luva de borracha (a de látex também funciona) é uma das grandes invenções da humanidade.

E acima de tudo: aprenda a conhecer a personalidade de seu gatinho. Gatos, assim como as pessoas, têm uma personalidade. Cada indivíduo é único e muito especial.

Abra o coração e feche a geladeira

“Abra o coração e feche a geladeira” (“Made to Crave”, Editora Thomas Nelson), de Lysa TerKeurst, é uma abordagem cristã ao tema “fazer as pazes com a balança”, mas o assunto principal é o relacionamento com Deus e o domínio próprio. Lembro que por muito tempo eu queria me convencer de que tinha Deus, mas escorregava sempre na falta do bendito domínio próprio. Como a Bíblia deixa muito claro que ele é uma das características do Fruto do Espírito, tive que engolir meu orgulho e assumir que precisava nascer de novo.

Achei bacana esse assunto em um livro cristão. Porque o pensamento religioso corrente é quase o de que somos almas penadas vagando por aí sem corpo! Acho engraçado como as pessoas têm coragem de dizer que cuidar da alimentação não é um assunto espiritual, mas assim que o excesso de peso causa doenças, correm para Deus pedindo cura. Ué, antes não era espiritual, agora é? Será que não dá para levar isso a sério desde o começo?

Lysa teve problemas com o excesso de peso. Chegou aos 90kg e continuava comendo de maneira emocional e dando justificativas estapafúrdias para seus maus hábitos. Ela faz pensar sobre suas escolhas e consequências.

Se eu fosse honesta comigo mesma, minha questão seria simples e clara: falta de domínio próprio. Poderia disfarçar e justificar esse problema durante o dia todo, mas a verdade era que eu não tinha um problema de peso; eu tinha um problema espiritual; eu dependia da comida para me consolar mais do que dependia de Deus. E simplesmente era preguiçosa demais para encontrar tempo para fazer exercícios.

Violento, não? Mas real. Quantas vezes já dissemos que Deus era o primeiro em nossa vida, mas colocamos outras coisas na frente dele, sem perceber? Se você depende de alguma coisa mais do que de Deus, se algo externo ou interno (como um comportamento ou impulso) te controla, te domina, alguma coisa está terrivelmente errada.

Achei muito legal o que ela fala a respeito do desejo. Ela explica que o ser humano foi criado para desejar, mas que esse desejo só pode ser satisfeito por Deus. Ansiamos Deus, mas antes de descobrirmos isso, tentamos preencher nossas lacunas com comida, compras, relacionamentos, entretenimento, trabalho, sexo e qualquer coisa que nos traga algum vislumbre de prazer momentâneo. Mas aquele desejo profundo nunca é suprido…é o que muitos denominam de “vazio”.

Quando eu era mais nova, tentava preencher esse vazio com compras (de qualquer tipo, até na farmácia, o negócio era comprar o que meus olhos desejassem e que pudesse ser parcelado em dez vezes no cartão!) e, antes de me casar, com paixões platônicas. Eu não namorava ninguém e era contra “ficar”, mas criava histórias na minha cabeça e me alimentava delas (tenho vergonha dos meus diários daquela época, nem te conto!). Mas nunca era suficiente, porque o vazio é um buraco negro, meus amigos, suga tudo para dentro de si, a única coisa que acaba com ele é a presença de Deus.

Por não conseguir poder controlar muito da sua vida, Amy sentiu que não conseguiria mais restringir as suas escolhas alimentares. A comida foi o entorpecente que ela escolheu.

Isso é profundo. Existem pessoas usando comida como entorpecente. E morrendo de culpa depois.

A autoestima de Lysa foi comprometida por ter sido abandonada pelo pai e abusada pelo avô. Ela mostra que mesmo as feridas mais profundas podem ser curadas através de um relacionamento com Deus.

Por anos a fio olhei para as flores das pessoas e secretamente as desejei para o meu prazer. Entretanto, o vislumbre desse homem cavando fundo da terra com suas mãos me trouxe uma nova revelação. Ele tinha um jardim porque havia investido tempo e energia para fazê-lo. Seu desejo não foi transformado em um jardim. Sua esperança não foi transformada em um jardim. Ele não se levantou um dia e encontrou um jardim com flores desabrochando de forma miraculosa na terra.

Não dá para você olhar aquela bonitona magra e definida e sentir inveja! Se você não está disposta a pagar o preço que ela paga para ter aquele corpo, você não quer aquele corpo. Se não estiver disposta a pagar o preço de investir tempo e energia para fazer um jardim, você não quer um jardim.

Recomendo o livro, com toda certeza. Apesar do tema denso, a leitura é leve e divertida, embora comece em um ritmo lento. Só não gostei do resumo no final de cada capítulo, com perguntas para ver se o leitor entendeu. Sempre me irrito com isso, e se alguém não se irrita, por favor, me explique como esse tipo de coisa te ajuda que eu realmente tenho curiosidade em saber.

É diferente de ter uma tarefa no final do capítulo. Tarefa é legal, incentiva a colocar em prática, mas esses resumos com perguntinhas, ainda mais depois de capítulos tão curtos, me parecem cansativos.

Outro problema foi a tradução/revisão (como não tive acesso ao original em inglês, não sei dizer se foi uma ou outra, ou as duas). Alguns trechos precisam urgentemente ver um revisor, como o feioso abaixo:

É como descascar as camadas de uma cebola. Apenas quando você pensa que tirou um pedaço dela, você percebe que existem muitas camadas ainda.

Um recado às editoras: respeitem os leitores. Vale a pena investir em boa revisão, principalmente em obras traduzidas. No caso de “Abra o coração e feche a geladeira” os erros não foram suficientes para que eu tenha vontade de jogar o livro pela janela, mas podem atrapalhar a compreensão de um leitor mais desatento, que provavelmente terá de ler mais de uma vez para entender alguns trechos.

No geral, acho que o maior mérito do livro é tirar as coisas da esfera emocional e trazer para a esfera racional. E fazer isso com leveza e humor. Jamais me esquecerei, por exemplo, de que:

As batatinhas fritas não me amam

:-)

Lysa é radical porque o problema dela com comida era bem sério. Não acho que devamos nos privar de todo e qualquer chocolate, por exemplo. Cada um deve saber os seus limites, suas fraquezas e fazer as coisas com sabedoria. Melhor se privar e ficar bem do que fazer concessões e ver todo o seu esforço ir por água abaixo. Afinal de contas,

Nenhuma comida jamais terá o sabor mais doce do que o da vitória.

Vanessa Lampert

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PS: Não desisti da série “Livros que não são o que parecem”, viu? Sábado teremos mais um, aguardem. E estou anotando todas as sugestões de livros que vocês dão, estão todos em minha interminável lista. :-D

PS2: A Tamires de POA, e a Jéssica de BH me lembraram (nos comentários deste post) a respeito das Dicas Radicais, do Blog da Nanda Bezerra! Quem não está acompanhando, vale a pena! Clique aqui para acessar as dicas da Nanda! Obrigada, meninas!

Originalmente publicado no blog Cristiane Cardoso. Clique aqui para ver a postagem original.