As batalhas que a gente escolhe

Hoje estou com muita saudade dos meus amigos. Às vezes a minha conchinha fica grande demais…principalmente quando eu vejo pessoas de quem gosto tanto e com quem há tanto tempo não consigo conversar. Às vezes a gente vive na correria, os dias passam, os meses, os anos…e a oportunidade de bater papo fica cada vez mais escassa. E, infelizmente, os poucos momentos em que nós poderíamos dar atenção a alguém especial acabamos desperdiçando com pessoas que não gostam da gente (absurdo isso, mas quantas vezes já não aconteceu?) ou com situações que não valem o nosso esforço.

Dia desses, falando do fato de eu não ter saco para a Copa (nesse link aqui: https://www.vanessalampert.com/?p=2734), eu escrevi no blog que a gente escolhe as nossas batalhas. Isso é algo de que a gente tem que lembrar todos os dias. Essa batalha vale a pena? Porque uma batalha sempre vai tomar o tempo de outras batalhas. Priorizar. Não sofrer à toa. Não sofrer por algo que não valha suas lágrimas. Não supervalorizar um problema. Não gastar tempo com discussões inúteis. Escolher olhar as coisas por um lado positivo em vez de se afundar em mágoas e em negatividade.

O tempo passa rápido demais. Rápido demais, mesmo. A vida muda em um piscar de olhos. Não vale a pena gastar seu tempo e empregar sua energia em algo sem analisar muito bem antes. É como um investimento. Você não vai aplicar seu dinheiro em qualquer investimento que alguém oferecer sem pensar bem antes, sem pesquisar e comparar as opções. A gente não se dá conta do tesouro que tem nas mãos. E também não se dá conta de algo ainda mais precioso: a nossa escolha. Está em nossas mãos o que fazer com o tempo e a energia que temos. Está em nossas mãos gastá-los com coisas inúteis ou com coisas realmente importantes. Nossos amigos. Nosso relacionamento. Ajudar quem quer ser ajudado (sim, porque tem gente que não quer. Não gaste seu tempo com eles). Nossa espiritualidade. A salvação da nossa alma. Existe uma cartela de coisas boas que precisam de quem trabalhe nelas. Escolha as suas guerras. Saiba dizer não para batalhas inúteis. Saiba diferenciar.

 

 

Eu não tenho saco para a Copa

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Confesso que estou bem por fora da discussão “Vai ter Copa” x “Não vai ter Copa”. Atualmente, minha mente e meus esforços estão em coisas realmente práticas e úteis, e todas elas relacionadas ao meu trabalho e à minha vida pessoal (e quem me conhece sabe que ambos se fundem e eu não estou nem aí para quem diz que isso não deveria acontecer). A Copa – veja só – não faz a menor diferença na minha vida. Eu não posso parar o meu trabalho e a minha vida para ficar torcendo pela seleção de um punhado de homens que ganham muito mais do que a esmagadora maioria da população que para para vê-los jogar. Punhado esse que trabalha para um punhado ainda menor de homens que ganham ainda mais do que eles.

Mas sei que durante esse breve período, que a mídia alardeia ser um momento único e mágico (porque vendeu espaços publicitários mágicos no intervalo dos jogos, a preços estratosfericamente mágicos que aumentarão, magicamente, o recheio das contas bancárias de seus proprietários), a população, embevecida (desenterrei essa palavra), se esquece de seus problemas e atinge o êxtase ao ver a seleção lutar por uma vitória enquanto ela – a população – permanece estática, sem lutar e sem vencer coisa alguma. Mas se a seleção vence, é como se a vitória fosse de todos nós – olha que lindo! Então, a gente se sente menos mal por nossas frustrações particulares e públicas.

Anestesia. É mais ou menos isso o que esses momentos de emoção vazia trazem para quem bebe deles. Eu sou um ET que não gosta de feriados e um ET que não está minimamente interessado nesse mundial – e que também não está interessado em lutar contra o mundial. Não esperem por mim em passeatas segurando um cartaz escrito “Não vai ter Copa”. Vai ter Copa, a gente sabe que vai. Não sei exatamente como ela vai ser, com essa horda de bárbaros espalhada pelo país, principalmente perto das eleições, com a oposição desesperada para descredibilizar o Governo. Prefiro me ausentar um pouco do mundo, porque tudo promete caos e eu – sinceramente – tenho mais o que fazer.

Nessa vida cheia de guerras, lutas e batalhas (parecem a mesma coisa, mas nem toda luta é uma guerra, nem toda batalha é uma luta e poucas guerras têm só uma batalha), temos de escolher quais batalhas iremos lutar e de quais lutas vale a pena participar. Eu escolho as minhas guerras e a Copa não é uma delas. Eu amo o Brasil, amo ser brasileira e tenho simpatia por um certo patriotismo, mas não vejo nada disso nesse mundial. Vejo nesse mundial apenas interesses econômicos: da mídia, da Fifa, do Governo Federal, dos jogadores, dos governos estaduais, das empresas anunciantes que não estão nem aí para os figurantes que acompanham os jogos. Não estou advogando contra os interesses econômicos ou contra o capitalismo, estou apenas constatando um fato: a Copa nada tem a ver com patriotismo ou orgulho nacional. Sou contra a depredação do orgulho nacional, que os grupos políticos de oposição têm patrocinado, mas não posso tapar o sol com a peneira: a Copa não é do Brasil, não é pelo Brasil e não é para o Brasil.

Mas eu realmente espero que o Brasil sobreviva à guerra de interesses escusos que acontecerá travestida de festa do futebol. E que aqueles que também têm mais o que fazer não bebam desse alucinógeno verde e amarelo. Depois de nos induzirem a comprar alucinadamente no natal, festejar sei lá o que no carnaval, atrasar nossos trabalhos nos feriados absurdamente gigantescos do início do ano (em que também teríamos de comprar chocolates ovais superfaturados) e gastar horrores no dia das mães, agora querem nos fazer parar nossas vidas novamente, porque eles precisam ganhar mais um pouquinho do dinheiro que não temos. Não é isso que faz o Brasil ir para frente, me desculpem. Vou me isolar voluntariamente, com alívio. Tenho muita meditação a fazer, muitos livros para ler, muito trabalho para terminar e muitas pessoas para ajudar. Desculpe, Fifa e Globo, não vai dar para fazer figuração dessa vez.