Categoria: Reino de Deus

Sobre a saída de pastores (Perguntas dos leitores, Parte 2)

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Samara Brion – Gostaria que falasse sobre saída de pastores do nosso meio. 

Vejo como natural. Já tinha maluco saindo da obra na época de Jesus, a ponto de Ele chegar a perguntar para os discípulos: “e vocês? Também vão sair?” olha só:

“Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com Ele. Então disse Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos? Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente. Respondeu-lhe Jesus: Não vos escolhi a vós os doze? e um de vós é um diabo. E isto dizia ele de Judas Iscariotes, filho de Simão; porque este o havia de entregar, sendo um dos doze.”

(João 6.66-71)

Note que a Bíblia diz que “MUITOS dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com Ele”. Isso não depõe contra o ministério de Jesus, apenas contra os malucos que saíram. Na época dos apóstolos, depois que Jesus ressuscitou, também era frequente a deserção. O apóstolo Paulo reclama disso várias vezes nas cartas, às vezes citando nomes. Gente é um negócio complicado, onde tem gente, tem problema, porque cada um tem uma cabeça, as pessoas fazem escolhas estúpidas e criam situações que não deveriam existir. 

 Na igreja sempre teve isso, desde a época de Jesus, a diferença é que agora temos a internet, ficamos sabendo das coisas muito rapidamente e dá a impressão de que os casos estão em maior número ou mais frequentes, mas é só impressão. Antes a gente ficava sabendo só quando alguém contava e, às vezes, anos depois…sim, eu vivi a era pré-internet #TiaVanessaÉumDinossauro. E mesmo nos primórdios da internet, as coisas demoravam a se espalhar. Hoje, com as fake news a galope nas redes sociais, as coisas às vezes se espalham antes mesmo de acontecer rs.

E tem o pessoal da agência de marketing do inferno que adora juntar esses casos (e inventar mais uns outros) para parecer que estão saindo mais pastores que antes, o que é uma estratégia. Se falam “muitos casos” ou em “aumento de casos”, citando um punhado de nomes, as pessoas tendem a repetir isso como se fosse verdade, mas é falta de pensar. Citando o livro “Rápido e devagar”, na parte que fala sobre heurística da disponibilidade: “As pessoas tendem a estimar a importância relativa das questões pela facilidade com que são puxadas da memória — e isso é amplamente determinado pela extensão da cobertura na mídia. Tópicos mencionados com frequência ocupam a mente mesmo quando outros fogem à consciência.”,  no caso em questão, quanto mais se fala sobre alguém ter saído (e a fofoca faz o papel de “mídia”, mas no nosso caso além da fofoca às vezes tem a mídia mesmo), maior parece a questão, como se os casos fossem mais frequentes porque estamos ouvindo falar mais neles. A estratégia de maketing do inferno é juntar casos não relacionados e alardear como se isso fosse indicativo de alguma coisa, mas é só isso mesmo, estratégia de manipulação (de haters que querem ganhar relevância). 

O que me lembra um trecho de outro livro, com o sugestivo nome de “Como mentir com estatística”, que escancara algumas estratégias de manipulação de dados: “Morreram mais pessoas em aviões no ano passado do que em 1910. Portanto, os aviões modernos seriam mais perigosos? Isso não faz o menor sentido. O número de pessoas que pegam aviões hoje em dia é centenas de vezes maior, só isso”. Da mesma forma, juntar, sei lá, cinco ou dez casos de pastores que saíram e tentar criar alguma celeuma com relação a isso, ignorando o fato de que hoje as informações chegam a nós com muito mais rapidez e que a igreja está absurdamente maior do que poucos anos atrás e, portanto, tais casos são estatisticamente irrelevantes (assim como desprezar inúmeros outros fatores envolvidos em cada um dos casos) é, no mínimo, desonestidade intelectual.

O que acho importante dizer — essencial, na verdade — é que, dependendo da conversa, a gente não deveria sequer se interessar por esse tipo de assunto. Sério mesmo. Eu não gosto de perder tempo com conversa sobre se pastor x saiu, se bispo y está de banco, porque é um modo muito rasteiro de se lidar com as coisas da igreja. Não sei se me faço entender. Igreja não é clube, não é grupinho (principalmente a Universal), os pastores estão fazendo um trabalho sério, focado em ajudar as pessoas, Deus fala comigo lá dentro, vou buscar a orientação dEle e prestar meu culto a Ele, ninguém tem tempo para gastar com fofoca porque a qualquer hora a gente pode morrer ou Jesus pode voltar e a gente tem de estar bem para subir com Ele. Esse é o tipo de coisa que surge para desviar a atenção.

Ter ficado com tão pouca energia física e mental me ensinou a não desperdiçar energia e tempo com o que não acrescenta. É como se você fosse um celular com 4% de bateria. Em que você gastaria? A gente tem de aprender a alocar nossos recursos no que realmente dá retorno. Nossa bateria espiritual é um recurso preciosíssimo que pode se gastar facilmente se ficarmos perdendo tempo com coisas “de baixo”. A diferença entre a bateria espiritual e a física é que a gente não sente quando gasta. Se não cuidarmos racionalmente da nossa bateria espiritual, de modo intencional e consciente, ela vai enfraquecendo e só perceberemos quando ela estiver zerada — ou nem perceberemos,  algumas pessoas entram em “coma espiritual” sem nem se darem conta. Então, é melhor tomar cuidado redobrado.

É mais ou menos o que ensina o apóstolo Paulo, em Colossenses 3: “Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra”. Eu tenho dedicado meu tempo a pensar nas coisas que são de cima. O tempo que dedicaria a ficar debatendo a vida de quem saiu é o mesmo tempo que eu tenho para meditar na Palavra de Deus, trabalhar nas mudanças que tenho a fazer no meu interior ou ajudar alguém que está precisando. A dica é: mantenha distância de quem se aproxima só para conjecturar a respeito da vida de alguém da igreja (seja pastor ou não, tenha saído ou não), como se falasse de alguma celebridade. Na verdade, mantenha distância de quem fica falando da vida alheia, em geral.

É claro que fico chateada quando vejo algum bispo ou pastor de quem eu gostava saindo da obra. Sei que esse tipo de coisa não acontece de uma hora para outra (se você ainda não leu o livro “O Resgate”, do Bp. Sérgio Corrêa, leia, porque ele explica direitinho isso) e coloco minhas barbas de molho, porque se eles, que estavam há tanto tempo no Altar, foram enrolados assim, o que sobra para mim? É mais uma prova de que não dá para bobear e não dá para perder tempo com fofoquinha, ressentimento, inutilidades e coisas do tipo. O segredo para se manter sempre firme na fé é permanecer focado nas coisas do alto, seguindo a ética da Palavra de Deus, buscando a Ele sempre com sinceridade e humildade. Quem seguir isso, vai orar por quem saiu, e seguir em frente, olhando sempre para onde deve olhar: para cima. 

E fica o alerta:

“Irmãos, não sejais meninos no entendimento, mas sede meninos na malícia, e adultos no entendimento.”

(1 Coríntios 14.20)

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PS. A resposta acabou ocupando um post inteiro, então coloquei sozinha aqui, depois vem a parte 3, com mais perguntas e respostas. Próximos assuntos: fé, gremlins e livros 🙂

O tesouro que você tem na estante

Eu gostaria de compartilhar com vocês algumas leituras que podem realmente mudar a sua forma de pensar e de viver. Eu estava pensando em qual deveria ser o primeiro livro e recebi um comentário em um texto do ano passado, que escrevi sobre Neemias, me pedindo para fazer novos textos sobre livros da Bíblia. Aquele é um livro muito forte e meditar nele abriu meus horizontes sobre Deus, sobre mim e sobre a obra de Deus.

Infelizmente, são poucos os cristãos habituados à leitura dos livros do Antigo Testamento. Culpa de muitas igrejas que pregam que Jesus cancelou tudo o que veio antes dEle. Não poderiam estar mais erradas.

Quando Paulo diz a Timóteo:

Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de Quem o aprendeste e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra. 2 Timóteo 3.14-17

De que Escritura ele estava falando? As “Sagradas Letras” de que ele falava eram a única parte do texto sagrado que existia na época… justamente aquela parte da Bíblia que muitos crentes negligenciam: o Antigo Testamento. Infelizmente muitos pensam que o Antigo Testamento é “velho” e que o que vale mesmo é o Novo Testamento. Assim, criam crentes fracos e que não conhecem o Deus a quem dizem servir. O Antigo Testamento revela o caráter de Deus, Seu plano para a Humanidade, e é tão Vivo, Eficaz e atual quanto o Novo Testamento. “Antigo” e “Novo” aqui não quer dizer “ultrapassado” e “moderno”, mas se refere à aliança de Deus com os homens. A primeira aliança foi feita no sangue de animais, a segunda aliança, no sangue de Jesus. Mas o segundo conjunto de livros não invalida o primeiro, nem o torna obsoleto. Pelo contrário, o confirma, completa e reaviva.

sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus Paulo diz a Timóteo que a Palavra que ele aprendeu lendo os livros que são tão negligenciados pelos cristãos hoje em dia, tem poder de nos tornar sábios para a salvação pela fé em Jesus! É claro, se a fé vem por ouvir a Palavra de Deus, sem acesso a essa Palavra, como manter a fé para a salvação? Sem intimidade com o Espírito dessa Palavra, como desenvolver a salvação e mantê-la até o fim?
Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito…

Aqui ele afirma que essa mesma Palavra é integralmente inspirada por Deus e útil para: o ensino; a repreensão; a correção e a educação na justiça. Com a finalidade de fazer com que o homem de Deus seja perfeito! Aí você me diz: “Mas ninguém é perfeito!” Deus disse a Abraão: “Anda na Minha presença e sê perfeito”. Ou seja, quando andamos na presença de Deus, nos tornamos perfeitos aos Seus olhos, porque Ele é perfeito. Então, a Palavra de Deus é integralmente inspirada por Ele e pode ser usada para fazer com que sejamos perfeitos, isto é, para fazer com que andemos na presença dEle. Essa é a perfeição que nos interessa.

A única maneira de nos mantermos na presença dEle é nos mantermos na obediência ao Seu ensino, na humildade para aceitar a repreensão, na disciplina para ir para o caminho correto quando corrigidos, e também nos mantermos no aprendizado constante da justiça, que exige a prática dessa mesma justiça.

Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.

Ah, mas a finalidade dessas coisas que alcançamos por meio da Palavra de Deus não é só de nos fazer andar na presença de Deus. É também de fazer com que o homem de Deus (e a mulher de Deus) seja perfeitamente habilitado para toda boa obra. Porque é isso que andar na presença de Deus faz conosco: nos habilita para toda boa obra. Então, veja só o tesouro que você tem nas mãos!
E olha que Paulo estava falando apenas do Antigo Testamento…imagina hoje, que temos à nossa disposição a Bíblia completa! Coloque tudo nesse pacote: Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para transformar completamente a vida de uma pessoa. Por dentro e por fora. Por saber do poder que acompanha essa Palavra, o diabo por séculos tentou impedir que ela chegasse às mãos das pessoas comuns, sinceras, que tinham sede de Deus. Por séculos, muitos foram perseguidos e até mesmo mortos pela instituição católica simplesmente por traduzirem trechos a Bíblia, pelo sonho de tornar acessíveis ao povo as palavras das Escrituras. Hoje, como a Bíblia já está à disposição das pessoas simples, a estratégia é fazer com que elas tenham preguiça de ler ou não Lhe deem a devida atenção.

Temos todo esse tesouro diante de nós, um livro que é muito mais do que os 66 livros que estão dentro dele. Cada versículo de cada capítulo de cada um desses livros se desdobra em milhares, que nos dão orientações preciosas para absolutamente todas as áreas da nossa vida. Um tesouro, sim, capaz de nos habilitar para fazer a obra de Deus de maneira que jamais imaginaríamos que poderíamos fazer.

O Bispo Macedo sempre diz que quando lemos um livro, bebemos do espírito de quem o escreveu. E quando se trata do livro que contém a própria Palavra de Deus? Escrito sob a inspiração do Espírito Santo? Ao bebermos desse Espírito, lendo a Bíblia sob Sua orientação, alcançamos muito mais do que mero conhecimento e sabedoria humana. Temos acesso à mente do próprio Deus, à sabedoria dEle, ao caráter dEle. E passamos a multiplicar nesta terra.

Por isso, a partir de hoje olhe para a sua Bíblia de outra forma. Ela é um livro, mas sob a orientação do Espírito que a inspirou, ela é a voz do próprio Deus, ao alcance de seus olhos. Aproveito a oportunidade para deixar um trechinho do texto de encerramento do novo livro do Bispo Macedo, “O Pão Nosso para 365 dias”, falando justamente sobre como ler a Bíblia:

“Antes de abrir a Bíblia, faça uma oração sincera ao Espírito Santo, para que ilumine e oriente sua leitura. Não se apoie em seus conhecimentos. Quanto mais se esvaziar de si mesmo e depender de Deus, maior será seu entendimento, pois será orientado pelo próprio Autor.

Medite em cada versículo. Preste atenção especial aos verbos. Todo verbo exprime uma ação. Toda ação é importante. A pontuação também é muito importante. Por isso, a leitura deve ser pausada e analítica. Outro item essencial é saber o sujeito da ação. Quem estava falando naquele trecho bíblico? Para quem aquelas palavras estavam sendo ditas? Qual o assunto principal?

Ao se deparar com uma palavra desconhecida, não interrompa a leitura (anote a palavra e, em uma outra oportunidade, procure o significado no dicionário). Quando ler de novo, a passagem lhe parecerá mais clara.”

Deixa só eu acrescentar uma coisa: tire da sua cabeça que a leitura da Bíblia é algo difícil. Tudo o que você acha que é difícil acaba se tornando difícil. Tudo o que você acredita que é capaz de entender, você será capaz de entender. Não se limite e não limite o Espírito Santo.

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Texto também publicado no blog do Bispo Macedo, clique aqui para ler.