Categoria: Reino de Deus

O real sentido da mansidão

Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o Meu jugo é suave e o Meu fardo é leve.

(Mateus 11:28-30)

Geralmente, quando vemos esse texto bíblico, nos focamos no “vinde  a Mim”, no convite aos cansados e sobrecarregados, na promessa de descanso ou no fardo leve de Jesus. Porém, o convite não termina no “vinde a mim”. Não basta só vir até Ele cansado e sobrecarregado. Sim, você vai alcançar alívio imediato se vier, mas para manter esse alívio, é preciso seguir o convite até o “aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração”. Jesus está dizendo aqui: “sejam como Eu”. Ele está nos convidando a imitá-lO.

Ele havia acabado de falar de cidades resistentes e orgulhosas que viram muitos milagres e não se converteram, e aqui nos dá o segredo do descanso para a alma: a mansidão. Muitos pensam que ser manso é ter um temperamento calmo e tranquilo, mas esse não é o único significado dessa palavra.

O outro significado é muito revelador a respeito desse fruto do Espírito, e aplicável a qualquer tipo de personalidade ou temperamento, é: “em estado de tranquilidade, apaziguado”. O contrário de “mansidão” neste sentido é:

Agitado, nervoso, estressado, desassossegado, preocupado, apreensivo, aflito, angustiado, ansioso.

Isso combina perfeitamente com a palavra grega usada no Novo Testamento para mansidão: Praotes. Seu significado literal é “força sob controle” e era muito usada para se referir a cavalo selvagem que foi domesticado. O cavalo domesticado continua tendo a mesma força, mas agora essa força está sob controle. E o domesticador só consegue essa mudança do cavalo quando estabelece com ele uma relação de confiança. Essa é a palavra-chave que define a mansidão prática: CONFIANÇA.

Ou seja, não se trata de um mero traço de personalidade com o qual a pessoa nasce, mas de algo que modela as nossas reações ao que nos acontece. Já viu vídeos de cachorros ou gatos de rua assustados/agressivos sendo resgatados? Os que sofrem nas ruas com a maldade humana muitas vezes ficam traumatizados e apreensivos, esperando sempre o pior das pessoas. Depois de resgatados, é necessário um tempo de reabilitação para que voltem a ser mansos. No início, podem, por medo, reagir a qualquer tentativa de contato arranhando e mordendo. Mesmo um carinho pode ser interpretado como agressão, porque eles não confiam.

Com amor, convivência e paciência, o protetor sacrifica todas as suas barreiras para se dedicar a conquistar a confiança do bichinho. Pode até levar arranhões e mordidas, mas nunca reage com agressividade. E alguns desses animais, depois de um tempo, decidem acreditar na pessoa que está cuidando deles. Param de lutar contra e permitem os cuidados. Sacrificam seus medos que geravam ansiedade e agressividade. Mansos, finalmente!

Isso é o que Deus faz conosco. Chegamos até Ele desconfiados, com medo, agressivos. E, com a maior paciência, Ele sacrifica, todos os dias, para nos mostrar quem Ele é e desenvolver essa relação de confiança. Depois que já somos dEle, olhamos para trás e conseguimos ver há quantos anos Ele tentava nos alcançar, quantas chances nos deu, quantos livramentos… E depois que somos alcançados, ainda precisamos da mansidão para nos manter na fé e no caminho em qualquer situação.

Aprender o verdadeiro sentido da mansidão me fez entender que essa é a base do nosso relacionamento com Deus, por isso o Senhor Jesus nos orienta a aprender essa característica tão marcante dEle. Foi a mansidão de Jesus que O fez Se submeter à vontade do Pai e ir para a cruz, mesmo tendo poder para escapar. Foi a mansidão de Deus que O fez ouvir Moisés e decidir não destruir o povo de Israel mesmo depois da traição que cometeram. Foi a mansidão de Abraão que o fez obedecer tantas vezes e se manter na fé até o fim. Foi a mansidão de Daniel que o fez manter o espírito excelente no meio da Babilônia e se destacar. É a mansidão que nos faz conseguir raciocinar, obedecer, ter a verdadeira misericórdia, a verdadeira paciência, a verdadeira benignidade, o verdadeiro amor e a verdadeira fé (que não são sentimentos).

Devemos ser mansos o tempo todo, mas principalmente quando nos percebemos enroscados em algum problema. Buscar a ajuda de Deus, nos entregando a esse cuidado, sem ficar tentando inutilmente nos desenroscar com nossa própria força ou com ideias da nossa própria sabedoria.

Então, este é o real e mais profundo sentido da mansidão: confiança irrestrita. Por confiar que Deus é quem Ele diz que é, o manso sacrifica suas defesas, seus medos, suas ansiedades e se entrega aos cuidados dEle.

É isso que nos faz encontrar descanso para as nossas almas, é isso que nos faz aceitar o jugo de Jesus. E é por isso que o manso herda a terra: porque confia em Deus, não fica resistindo a Ele, coopera com Ele, obedece à Sua Palavra e, consequentemente, colhe os frutos da obediência. Inclusive, o maior deles:

“Porque o Senhor se agrada do Seu povo; ornará os mansos com a salvação.”

(Salmos 149.4)

Como se lembrar da Palavra de Deus

“Vanessa, leio quase todos os dias os seus posts, mas no dia a dia Eu acabo esquecendo da Palavra de Deus, e quando percebo, já estou navegando longe dos pensamentos de Deus….”

Mariana

Ué, e o que você tem feito o dia inteiro durante o Jejum de Daniel? Se você não colocar, conscientemente, esses pensamentos na sua cabeça, eles não vão ficar lá. Você está esperando que o conteúdo faça a mágica de colar na sua cabeça por conta própria? É a gente que escolhe para onde nossos pensamentos vão. Se percebe que eles estão longe, traga para perto de novo. E vá fazendo isso até que eles aprendam onde devem estar. É como domar um cavalo. Se você deixa correr solto, como vai controlar?

Achei muito legal esse comentário do Vinícius, que já acompanha o blog há algum tempo, e deixou esse recado, vou deixar que ele responda à Mariana quem mais tiver dúvidas de como aplicar o que aprende por aqui:

“Meu testemunho ainda está em construção, mas acredito que muito em breve eu poderei contar ele completinho para vocês. Mas é nítido o crescimento, o desenvolvimento e o amadurecimento da minha fé nesses últimos meses. Coisas que para mim antes eram problemões passaram a ser enxergadas por mim como de fato são: insignificantes e sem valor. E outras que ficavam meio de lado passaram a ser prioridades na minha vida. E com esse ajuste é impossível não ver resultados. 

Minha dica pra quem está chegando agora é que use os textos como estivesse em uma aula no colégio. Estude, mesmo. Medite, reescreva, faça anotações, deixe eles posicionados perto de você pra poder olhar ao longo do dia (tenho um aviso enorme perto de mim escrito: “Pensar é uma escolha. Você escolhe seus pensamentos. Escolha bem”). Tudo pra que você consiga colocar essas palavras e o espírito que está nelas dentro da sua cabeça. Uma coisa eu posso garantir: FUNCIONA!”

Vinícius Silveira

Esse método realmente funciona! É o que uso também com a Bíblia, com os livros, as reuniões da igreja e o conteúdo do Bispo Renato, por exemplo. Medito, reescrevo, faço anotações, releio o que escrevi, deixo sempre por perto e, de tempos em tempos, volto às anotações passadas para revisar. E, obviamente, coloco em prática o que aprender. Ao agir desta maneira, você mostra que está realmente crendo, a ponto de sacrificar seu tempo e sua inércia mental. Você começa, intencionalmente, a sintonizar seus pensamentos nos pensamentos de Deus. 

Mas uma coisa é certa: você só vai fazer isso quando se conscientizar de que o mais importante na sua vida é a salvação da sua alma. E que da Palavra de Deus depende a sua vida tanto aqui neste mundo quanto depois, na eternidade. Se você tem essa consciência, não aceite mais viver no modo automático. 

Aliás, Deus ensinava exatamente isso aos reis que governariam Seu povo:

“[…] Será também que, quando se assentar sobre o trono do seu reino, então escreverá para si num livro, um traslado desta lei, do original que está diante dos sacerdotes levitas. E o terá consigo, e nele lerá todos os dias da sua vida, para que aprenda a temer ao Senhor seu Deus, para guardar todas as palavras desta lei, e estes estatutos, para cumpri-los;

Para que o seu coração não se levante sobre os seus irmãos, e não se aparte do mandamento, nem para a direita nem para a esquerda; para que prolongue os seus dias no seu reino, ele e seus filhos no meio de Israel.”

(Deuteronômio 17.14-20)

E também não é por outro motivo que diz em provérbios:

“Filho meu, guarda o mandamento de teu pai, e não deixes a lei da tua mãe;
Ata-os perpetuamente ao teu coração, e pendura-os ao teu pescoço.
Quando caminhares, te guiará; quando te deitares, te guardará; quando acordares, falará contigo.” (Provérbios 6.20-22)

Pendura no teu pescoço, isto é, mantenha o mais perto possível de você aquelas palavras que você sabe que vão ajudar e guiar os seus passos. Aquilo que você quer que o acompanhe durante os seus dias, coloque dentro de você e carregue por onde você for. E essas não são as únicas passagens Bíblicas sobre o assunto. Várias vezes Deus orienta a escrever, reescrever, colocar perto de você, ler mil vezes, manter diante de seus olhos e em seu coração. É responsabilidade nossa fazer isso. 

 As coisas de Deus devem ocupar os nossos pensamentos. Mas elas não vão para lá sozinhas. É nossa responsabilidade colocá-las em nossa mente, diante de nossos olhos e em nossos pensamentos todos os dias. E quanto mais longe de Deus você estiver, ou quanto mais envolvido com os cuidados deste mundo e as ansiedades do dia a dia estiver, mais difícil isso vai parecer. Persevere. É como se desintoxicar e fazer um tratamento com alguma substância benéfica: pode demorar um tempinho para ver o resultado, mas valerá a pena.

 

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#JejumDeDaniel  #Dia12

* Estamos em uma jornada de 21 dias de jejum de informações e entretenimento chamado Jejum de Daniel. Durante esses dias, os posts no blog serão voltados exclusivamente para o crescimento espiritual e a busca pelo Espírito Santo. Leia este post (clique aqui) para entender melhor.

 

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