Categoria: Visão de mundo

O que a comemoração da morte de Charlie Kirk revela sobre a humanidade

A morte do ativista conservador americano Charlie Kirk despertou emoções de todos os lados, mas eu não queria falar aqui de política ou polarização, queria trazer um olhar espiritual para o que está acontecendo e compartilhar um pouco do que tenho meditado. Primeiro, os fatos. Depois, meus comentários.

Como provavelmente você já sabe, o rapaz de 31 anos estava em um evento de uma universidade americana, debatendo com outros jovens. Ele, sob uma tenda, com um microfone, falava com um jovem, que queria convencê-lo de que a esquerda não era violenta, quando foi brutalmente atingido por um tiro no pescoço. 

A reação de grande parte dos integrantes do grupo contrário ao de Charlie pegou muita gente de surpresa. Pessoas comemorando a morte do rapaz, outras com nítido desprezo, dizendo que ele mereceu o que recebeu, outras sendo maldosas enquanto fingiam ser minimamente decentes, mas mostrando, nas entrelinhas, pitadas de psicopatia. E muitas, muitas mesmo, se deliciando com a morte, como se ele, por suas opiniões (ou pelas opiniões que atribuíam a ele), merecesse ou devesse ser morto. 

Desumanizar o adversário e fazer com que a existência dele se torne um incômodo que precisa ser neutralizado é uma estratégia usada pelo mal desde sempre. Transforme o alvo em um monstro aos olhos do outro, e qualquer pessoa pode se transformar em assassino. O freio moral que impede alguém de matar (ou desejar/comemorar a morte de) um ser humano é removido quando o alvo é um monstro. Isso foi feito pelos nazistas quando o alvo eram os judeus, isso foi feito na Roma antiga quando o alvo eram os cristãos, isso foi feito ao longo de toda a história da humanidade, porque há milênios existe um treinamento em curso para o momento em que esse será o modus operandi (e modus cogitandi) de praticamente toda a humanidade (ou a esmagadora maioria).

A Bíblia fala desse momento. Sempre que eu lia as profecias sobre o fim dos tempos e a chamada Grande Tribulação, me parecia meio inverossímil que as pessoas fossem tão bestiais… pareciam ter enlouquecido, blasfemando contra Deus, sem um pingo de arrependimento, entregando amigos e parentes a um regime cruel, persecutório e assassino, comemorando a morte alheia, sem amor, sem compaixão.

O apocalipse fala de dois homens que vão passar três anos e meio em Jerusalém basicamente falando a verdade que poucos querem ouvir. Obviamente, serão odiados por suas palavras. Por todo esse tempo, ninguém vai conseguir matá-los, mas ao final desse período, eles serão mortos em praça pública em Jerusalém. E essa será a reação das pessoas:

“E homens de vários povos, e tribos, e línguas, e nações verão seus corpos mortos por três dias e meio, e não permitirão que os seus corpos mortos sejam postos em sepulcros. E os que habitam na terra se regozijarão sobre eles, e se alegrarão, e mandarão presentes uns aos outros; porquanto estes dois profetas tinham atormentado os que habitam sobre a terra.”

Apocalipse 11:9,10

Imagina a cena. São três dias dos vídeos desses corpos (e provavelmente do momento do assassinato) rodando a internet, sendo vistos por pessoas de vários povos e nações, TODOS comemorando a morte dessas pessoas, a ponto de se transformar em natal fora de época! Ninguém pensa que eles foram mortos por falarem a verdade, mas sim por atormentar os moradores da terra. Quando você não entende (ou não quer entender) a visão de mundo do outro, não há comunicação, ainda que as palavras estejam no idioma que você conhece.

Quando eu era criança e lia essa passagem, na longínqua década de 90, imaginava essas pessoas como uma horda alucinada de gente com algum problema mental ainda desconhecido pela medicina, porque não conseguia conceber O MUNDO TODO com esse distúrbio. Agora consigo. 

O povo que vai formar a população mundial dominante na pior fase da humanidade já está entre nós. Estou tentando evitar a linguagem religiosa cristã, porque não estou aqui falando de religião, mas de algo que efetivamente vai acontecer (não precisa acreditar, é só esperar e ver). O que está previsto há quase dois mil anos se cumprirá em breve. Muito do que foi dito que veríamos, já estamos vendo. 

Você achava que essas pessoas eram poucas, mas não são, só estão em silêncio na maior parte do tempo e escondem suas inclinações porque não é socialmente aceitável externá-las. Não são monstros assassinos, são gente normal, mas a mente já adoecida por um profundo e maligno engano, que faz com que cedam facilmente aos piores impulsos do coração. É uma questão muito, muito complexa e multifatorial (se eu fosse discorrer sobre o porquê de pessoas que tecnicamente não são psicopatas de repente estarem agindo como se fossem, teria que escrever outro post), mas essas pessoas existem e realmente não acham que são ruins. Ao contrário, elas se acham muito boas, muito empáticas e NÃO ENTENDEM UMA VÍRGULA DO QUE DIZEMOS. 

Sim, é assustador. E isso tende a se multiplicar em silêncio. Provavelmente neste primeiro momento, elas voltarão a se calar, porque as consequências de comemorar a morte alheia não são lá muito boas e estão atingindo cada um desses sem noção como uma frigideira na cara. Demissões, deportações, perda de visto e uma certa mancha social. Como eu disse, esse comportamento ainda não é socialmente aceitável, quem quiser “soltar a franga da psicopatia” e ainda parecer gente boa vai ter que esperar o anticristo.

Por enquanto, ainda há o que detenha esse espírito psicopata e distorcedor de contextos e realidades. Por enquanto, ele não pode operar livremente como gostaria. Mas de uma hora para outra, o “Muro” que segura essa enchente será retirado, e o mal virá sobre o mundo como nunca antes. 

Alguém que estiver lendo isso pode dizer: “Deus não vai permitir que isso aconteça”. Não, Deus mesmo avisou que isso vai acontecer. Ele não vai impedir, porque vai ser o momento do mundo colher todo o mal que tem plantado. Mas e as pessoas boas? — Alguém pode perguntar. “Deus tenha misericórdia!”. Ele tem, por isso tem avisado sobre esse dia há milênios. E, na hora certa, Ele vai tirar deste mundo quem estiver preparado. O aviso está aí:  

“E olhai por vós, para que não aconteça que o vosso coração se carregue de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e venha sobre vós de improviso aquele dia. Porque virá como um laço sobre todos os que habitam na face de toda a terra. Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para que sejais havidos por dignos de evitar todas essas coisas que hão de acontecer e de estar em pé diante do Filho do Homem.”

Lucas 21:34-36

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Sobre o filme Remanescentes

Resolvi escrever sobre o filme Remanescentes (The Remaining) que estreou no Univer, porque, em um primeiro momento, não entendi do que se tratava. Depois, percebemos que ele era muito mais profundo do que parecia. Este post vai ter alguns spoilers necessários, mas a maioria já está no trailer e no material de divulgação, então não é novidade. Mas se você não gosta de spoiler, primeiro assista ao filme e depois volte aqui para ler esta resenha. 

Resumo da história: uma festa de casamento é interrompida pelo arrebatamento e o início de eventos aparentemente apocalípticos. Um grupo de amigos encontra abrigo em uma igreja e recebe a ajuda de um pastor esquisitão. Andar na rua é perigoso, ficar dentro dos lugares é perigoso, pessoas morrem, o mundo é um caos e ninguém sabe o que está acontecendo. 

À primeira vista, parece que o filme é sobre o apocalipse. Ele traz um arrebatamento diferentão, com as pessoas caindo mortas por congelamento súbito em vez de desaparecendo. Já por aí, dava para notar que não é bem do arrebatamento literal que ele está falando. Porque a Bíblia não deixa margem para essa interpretação de que o arrebatamento poderia ser Deus levando apenas as almas das pessoas, pelo seguinte motivo:

“Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.”

1 Tessalonicenses 4.16,17

Não sobra muito espaço para interpretação aí, não: quem morreu salvo irá ressuscitar, ou seja, voltará para seu corpo e será levado, com o corpo, para o céu. Os vivos, serão também levados com eles, com seus corpos transformados…por que deixar os corpos dos vivos para trás e levar os dos mortos? Teria que levar a alma dos vivos e fazê-los ressuscitar em seguida? Não faz o menor sentido e desconheço linha teológica que defenda algo assim. Mas quem fez o filme conhece a Bíblia, então do que este filme está falando?

O apocalipse que o filme retrata também nada tem a ver com o apocalipse da Bíblia. O mundo se torna uma distopia no exato instante em que o “arrebatamento” acontece. Há trombetas, há um monstro/demônio que mata as pessoas. Poderia ser o apocalipse, mas fica claro que existe alguma outra coisa por trás ali. 

Em determinado momento do filme, uma porta de madeira começa a se comportar como se fosse de borracha…neste ponto, dá para ter uma ideia de que o que o filme está contando não é exatamente literal. É como se levantasse essa camada da realidade física e expusesse outra camada, invisível, que fica por trás desta e que contém a realidade verdadeira.

Remanescentes não é um filme sobre o apocalipse. Ou ao menos não só sobre o apocalipse. O filme usou o tema do apocalipse como pano de fundo para fazer uma alegoria da vida neste mundo. O que é muito diferente, já que estamos acostumados a ver alegorias sobre o apocalipse, e não o apocalipse sendo usado como alegoria para outra coisa. 

A festa de casamento é a “realidade” física visível, mas a partir do momento do “arrebatamento” passamos a ver no filme a realidade espiritual da vida. Os arrebatados são os salvos, que morreram para este mundo (por isso eles morrem literalmente). Os que ficaram, os falsos crentes, passam por diversos perrengues tentando salvar a própria vida. Quem se dá conta de que este mundo não é nada e começa a buscar a salvação, torna-se alvo imediato do monstro. E, inevitavelmente, também morre. 

Isso é um pouco do que vai acontecer na Grande Tribulação, sem dúvida, mas sem a parte do monstro visível, obviamente. A pessoa será morta pelo governo do anticristo, mas, na real, quem está por trás é esse monstro. Mas também é uma alegoria da nossa vida. Quando entregamos nossa vida para Deus, nos damos conta de que nada por aqui tem valor e morremos para este mundo. É por isso que uma das moças, quando entende o que está acontecendo, diz que precisa fazer uma escolha e que precisa escolher Deus. 

Se você assiste achando que o que está acontecendo no filme é literal, esse diálogo não faz sentido. Acabaram de ver um rapaz morrendo de forma horrível por ter escolhido Deus e querem fazer essa escolha também? Mas se você entende que é uma alegoria da nossa vida, tudo faz sentido. 

Sim, você precisa fazer essa escolha por Deus para sair logo deste mundo e viver o reino dEle. Não morrendo literalmente (pelo menos não enquanto não começarem a matar cristãos por serem cristãos), mas deixando de se importar com as coisas deste mundo e passando a valorizar e priorizar as coisas de Deus.

É por isso também que o pastor em determinado momento parece desistir e se entregar ao monstro. Ele não está se entregando ao monstro. Naquele momento em que ele se entrega a Deus, entende que não deve mais ficar tentando salvar a sua vida. Creio que o filme inteiro seja uma alegoria para aquele versículo “quem quiser salvar a própria vida, irá perdê-la, mas quem perder a sua vida por amor de Mim, irá salvá-la”. 

O mundo é isso aí. Um lugar escuro e perigoso, infestado de monstros ávidos por nos matar e nos levar para o abismo. A vida, espiritualmente falando, é um grande filme de terror, que só acaba para quem se dá conta disso e entrega sua vida para Deus, saindo desta realidade monstruosa e entrando na realidade de Deus. Todo mundo precisa fazer uma escolha por Deus para sair do modo automático de mundo dominado pelo mal. Quem não fizer, não vai sair. Vai continuar vivendo o horror até ele se tornar eterno. Como diz uma das personagens no filme: “Não nos resta muito tempo na Terra. Precisamos tomar uma decisão”.

Jejum de Daniel – Dia 1