Categoria: Visão de mundo

A multidão do abismo

Assim é o mundo. As pessoas marcham em direção a um imenso buraco, sem pensar, sem enxergar o que estão fazendo, sem desacelerar. Simplesmente caminham pelos seus dias, em ritmo acelerado, envolvidas com tantas coisas inúteis, presas a seus celulares, às notícias que alguém decidiu que elas deveriam saber, à visão de mundo que lhe apresentaram como verdade, às suas opiniões, aos seus problemas, às picuinhas do dia a dia, aos cuidados desta vida, a tantas informações que vêm de todos os lados. 

Achando que seus problemas e seus prazeres são tudo o que há no mundo, as pessoas seguem rumo ao abismo. Obcecadas em seguir o que todos estão seguindo, fazer o que todos estão fazendo e falar como todos estão falando, elas seguem, obstinadamente, em direção ao imenso buraco.

E para lá está indo a maioria. Pela porta larga, pelo caminho espaçoso, pelo caminho de menor esforço, que não exige sacrifício. Que APARENTEMENTE não exige sacrifício. Só para descobrir que o sacrifício está no final. O sacrifício é ela mesma, sendo lançada daquele precipício para algo muito, muito pior. Mas a multidão continua indo para lá. 

Enquanto todo mundo anda, frenético, sem pensar, quem tenta fazer diferente é olhado com desconfiança. Como pode achar errado fazer o que todo mundo está fazendo? Como pode discordar? Sua existência ameaça a placidez com que os outros se dirigem ao abismo. A multidão do abismo não quer cogitar que está errada. Quer continuar seguindo sua obstinação, sem ser contrariada.

Mas por mais que a multidão do abismo se revolte contra quem quer fazer diferente, por mais que se coloque como inimiga e ainda que queira destruir quem escolheu o caminho estreito e dele precisa falar — não faz o menor sentido o povo do caminho estreito aceitar a briga contra as pessoas. 

Como ficar com raiva de quem está caminhando para o abismo? Como não amar quem, sem saber, se dirige para a destruição? Como pensar mal de quem tem sido enganado para a morte? Como não querer resgatar essas pessoas? Como não querer dedicar a própria vida para salvá-las? Diante de alguém que corre para a morte, a única reação possível é querer salvar. Você não quer saber quem é a pessoa, o que ela fez ou deixou de fazer. Você só quer salvar.

Fazer-se tudo para com todos, para, por todos os meios, salvar alguns. Nem todos vão acreditar, nem todos vão aceitar, mas não importa. Nossa obrigação é avisar. É ser a mão estendida, a apontar o caminho certo. O caminho que é difícil, estreito, apertado, mas que vai levar à verdadeira felicidade. O caminho que exige o sacrifício de muitas vezes deixar de fazer a própria vontade para fazer o que é o certo. Mas que, no fim, nos garante a vida. A verdadeira vida. Que não nos ouçam, que não nos entendam, que nos critiquem, que sejamos mal interpretados, não importa. Alguém vai ouvir. Alguém vai entender. Alguém será salvo.

Nem sempre eles querem ouvir. Nem sempre perguntam. Nem sempre podemos dizer. Mas quando não ouvem, ou quando nossa voz não é suficiente, podemos orar por eles. Por aqueles que nos perseguem, que nos odeiam, que nos desprezam, mas que estão caminhando, rindo e confiantes, para o abismo. Por aqueles que até nos amam, mas que não entendem nossa linguagem. Orar para que sejam alcançados, ainda que não por nós. Orar para que tenham chance. Orar para que aproveitem a chance e escapem do abismo. Orar para que despertem a tempo. 

A escolha deles não é nossa responsabilidade. Mas o anunciar, é. O orar para que tenham chance, é. É nossa responsabilidade olhar para cada um deles como Deus olha. Sabem tanto da ilusão que este mundo apresenta e tão pouco da vida de verdade! Como ter raiva deles? Como guardar mágoa? Como focar em nossos interesses? Como ser egoísta? Como viver a paz que recebemos, sem querer anunciá-la, enquanto tanta gente está sendo torturada pelo mal a caminho do precipício? 

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Leia também: Medidor populacional e o meu desespero.

PS. Pensar nessas coisas nos ajuda a manter o foco no lugar certo.  

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Não se contaminar

O texto de hoje é a respeito do capítulo 1 de Daniel. 

“E disse o rei a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns dos filhos de Israel, e da linhagem real e dos príncipes, jovens em quem não houvesse defeito algum, de boa aparência, e instruídos em toda a sabedoria, e doutos em ciência, e entendidos no conhecimento, e que tivessem habilidade para assistirem no palácio do rei, e que lhes ensinassem as letras e a língua dos caldeus. E o rei lhes determinou a porção diária, das iguarias do rei, e do vinho que ele bebia, e que assim fossem mantidos por três anos, para que no fim destes pudessem estar diante do rei. E entre eles se achavam, dos filhos de Judá, Daniel, Hananias, Misael e Azarias. […] 

E Daniel propôs no seu coração não se contaminar com a porção das iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não se contaminar. Ora, Deus fez com que Daniel achasse graça e misericórdia diante do chefe dos eunucos.

E disse o chefe dos eunucos a Daniel: Tenho medo do meu senhor, o rei, que determinou a vossa comida e a vossa bebida; pois por que veria ele os vossos rostos mais tristes do que os dos outros jovens da vossa idade? Assim porias em perigo a minha cabeça para com o rei.

 Então disse Daniel ao despenseiro a quem o chefe dos eunucos havia constituído sobre Daniel, Hananias, Misael e Azarias: Experimenta, peço-te, os teus servos dez dias, e que se nos dêem legumes a comer, e água a beber. Então se examine diante de ti a nossa aparência, e a aparência dos jovens que comem a porção das iguarias do rei; e, conforme vires, procederás para com os teus servos. E ele consentiu isto, e os experimentou dez dias. E, ao fim dos dez dias, apareceram os seus semblantes melhores, e eles estavam mais gordos de carne do que todos os jovens que comiam das iguarias do rei. Assim o despenseiro tirou-lhes a porção das iguarias, e o vinho de que deviam beber, e lhes dava legumes.”

A primeira coisa que me chama atenção, logo no início, é que havia outros jovens hebreus ali, mas somente esses quatro tiveram fé de não se contaminar. E os quatro não se permitiram contaminar nem com o modo de pensar dos outros. Isso é um bom ensinamento para hoje. Não importa se você está com uma minoria que faz o certo, ou se você se sente sozinho em sua casa ou em seu trabalho. Ou mesmo se convive com outros cristãos que acham que “não precisa ser tão radical” ou que dá para relativizar as coisas e ser mais parecido com o mundo. Seja definido em sua fé. Mesmo que precise resistir contra tudo e contra todos para mantê-la.

“Quanto a estes quatro jovens, Deus lhes deu o conhecimento e a inteligência em todas as letras, e sabedoria; mas a Daniel deu entendimento em toda a visão e sonhos. E ao fim dos dias, em que o rei tinha falado que os trouxessem, o chefe dos eunucos os trouxe diante de Nabucodonosor. E o rei falou com eles; entre todos eles não foram achados outros tais como Daniel, Hananias, Misael e Azarias; portanto ficaram assistindo diante do rei. E em toda a matéria de sabedoria e de discernimento, sobre o que o rei lhes perguntou, os achou dez vezes mais doutos do que todos os magos astrólogos que havia em todo o seu reino.

E Daniel permaneceu até ao primeiro ano do rei Ciro.”

Ser dez vezes melhor do que todos os outros não é normal. Mas com Deus tem que ser assim. A sabedoria deles vinha do Espírito de Deus. Ficaram TRÊS ANOS comendo apenas legumes e água e, no final, estavam mais fortes e mais inteligentes do que todos os outros, não porque essa seja uma super dieta, mas por causa do que os motivou a fazer aquilo: a fidelidade a Deus. Eles não dependiam do natural. Estavam contando com o sobrenatural. Se contaminar com os manjares do rei poderia significar se acomodar, se esquecer do porquê de estarem ali. Manter o sacrifício era se manter conectado a Deus e ao fato de que Não faziam parte daquele povo. Eles estavam na Babilônia, mas se negaram a ceder para a Babilônia. E por isso Deus os honrou com o inimaginável.

Hoje vivemos na Babilônia. Em situação bem semelhante à desses rapazes. Não fazemos parte do mundo, mas estamos no mundo. Porém, precisamos entender que este não é nosso lugar. Somos ETs por aqui, e não devemos querer nos encaixar. O mundo está cheio dos “manjares” enganosos. Fazer a escolha consciente de não se contaminar com eles é o tipo de sacrifício que, depois de algum tempo, passa a ser natural. Um modo de vida do qual não abrimos mão. Não por nos acharmos melhores, mas por obediência a Deus.

“Porque povo santo és ao Senhor teu Deus; o Senhor teu Deus te escolheu, para que lhe fosses o Seu povo especial, de todos os povos que há sobre a terra.” Deuteronômio 7.6

E este convite hoje está aberto a todos aqueles que decidirem não se contaminar com os manjares deste mundo para fazer parte deste povo especial.

[Link para todos os posts das edições anteriores do Jejum de Daniel]

Jejum de Daniel, dia 11

 

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